domingo, 18 de fevereiro de 2018

O DESABAFO DO JOVEM QUE FOI ACUSADO DE ROUBAR A PRÓPRIA JAQUETA

Um caso de humilhação e racismo em uma loja de roupas nos Estados Unidos deixou muita gente indignada. James Conley, de 29 anos, foi acusado de roubar o próprio casaco. O rapaz usou o Facebook para desabafa



Heloisa Caixeta, Metrópoles



Um caso de humilhação e racismo em uma loja de roupas nos Estados Unidos está tomando conta das redes sociais e indignando muita gente. James Conley, de 29 anos, foi acusado de roubar o próprio casaco. O rapaz usou o Facebook para desabafar.

“Hoje, eu fui racialmente identificado pela loja da Old Navy em West Des Moines, em Iowa. Fui acusado de não pagar pela jaqueta azul que eu comprei no Natal e estava usando dentro do estabelecimento”, narrou.



“Fui questionado se eu também estava interessado em comprar a jaqueta que eu estava usando”, relembrou James sobre a situação. A primeira reação do jovem foi rir, pois ele “não acreditava no que estava ouvindo”.


O gerente da loja, Beau Carter, não foi profissional e me julgou a partir de um estereótipo porque eu sou um homem negro. Ele disse que toda vez que alguém está usando uma roupa da Old Navy na loja, eles precisam escanear a roupa do cliente para garantir que a peça foi comprada anteriormente (onde eles fazem isso?).

Sempre que eu vou à Old Navy estou vestindo essa mesma jaqueta azul de inverno e os funcionários nunca me pediram para escanear as minhas roupas. Alguns consumidores que não eram negros tinham peças idênticas à minha, mas não pediram para escanear a roupa deles.

Eles tentaram me fazer pagar novamente pela roupa. Finalmente, a gerente do distrito, Shannon (que se recusou a dar seu sobrenome) chegou e eu a fiz checar as câmeras de segurança para provar que ela e seus colegas de trabalho estavam errados ao fazer um perfil racial meu por causa da cor da minha pele. Assim que ela confirmou que eu estava certo (após assistir à fita), ela não me pediu desculpas — assim como o gerente da loja, Beau Carter, como você pode ver nos vídeos.

O relato foi compartilhado mais de 158 mil vezes no Facebook e fez com que o estabelecimento se posicionasse sobre o acontecido.



“No começo desta semana, um cliente da Old Navy, James Conley, teve uma experiência inaceitável na nossa loja em Iowa. A situação foi uma violação das nossas políticas e valores, e nós pedimos desculpas ao senhor Conley e aos consumidores que desapontamos”.

“Todos os nossos clientes merecem ser tratados com respeito. Seguindo uma investigação do incidente, três funcionários que estavam envolvidos foram demitidos. Nós levamos essa questão — e qualquer outra conversa sobre igualdade — muito a sério. A Old Navy está comprometida para garantir que as nossas lojas sejam um ambiente onde todos se sintam bem-vindos”, diz o comunicado, publicado no Facebook da empresa.

7 FRASES HOMOFÓBICAS QUE AS PESSOAS FALAM SEM PERCEBER



Foram 445 homicídios de LGBTs registrados em 2017, 30% a mais que no ano anterior. O dado é do Grupo Gay da Bahia, que há décadas coleta estatísticas sobre assassinatos de homossexuais e transgêneros no país. O preconceito e a intolerância alimentam essa estatística.

 Listamos, a seguir, sete frases que são homofóbicas e as pessoas falam sem perceber:



1 — “Eu não sou preconceituoso. Até tenho um amigo gay!”
Começar com “não sou preconceituoso” não anula o preconceito. Dizer que tem um amigo gay é totalmente desnecessário. “É óbvio que todo mundo tem um amigo gay, assim como tem um amigo hétero. Ser gay é tão natural que nem deve ser comentado”, diz Douglas Drumond, militante LGBTI e dono do Chilli Pepper Single Hotel, destinado ao público gay.

2 — “Tudo bem ser lésbica, mas precisa se vestir como homem?”
“Uma mulher heterossexual só pode usar saia também?”, questiona Fabrício Viana, diretor da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Além de ser preconceituosa, a expressão interfere no modo do outro de ser. Quer dizer, além de julgar a sexualidade alheia, está embutido na frase um desejo de controlar o que o outro veste.



3 — “Que desperdício!”
Bem comum de dizer ao ver alguém que acha bonito, mas não é hétero. É preciso ponderar: você diz a mesma coisa para uma pessoa comprometida? Ou para uma pessoa que simplesmente não teve interesse em se relacionar com você? Dizer isso apenas para LGBTs mostra uma carga de julgamento e preconceito.

4 — “Eu não tenho problemas com lésbicas. Inclusive, adoro vê-las se pegando”
Toni Reis, diretor presidente da Aliança Nacional LGBTI e diretor executivo do grupo Dignidade, ressalta que, além de preconceituosa, a expressão é também machista. “Muitos homens acabam tendo essa fantasia, que é fruto da visão do corpo feminino como um objeto.”

5 — “Que viadagem!”
Termos como “machão”, “bichinha” ou “mulherzinha” não deveriam ser usados para pontuar uma atitude. Achar que homens só podem usar azul e mulher só cor-de-rosa limitam os comportamentos de todos. Existem LGBTs sensíveis? Claro. Assim como héteros.

6 — “Ser gay, tudo bem. Mas não dê em cima de mim!”
Neste caso, existe ainda uma autoestima elevada demais, por presumir ser irresistível para qualquer orientação sexual ou identidade de gênero. “Já ouvi essa frase algumas vezes. E fui bem direito com meu interlocutor: ‘Mas você não me parece nem interessante pra outras mulheres, muito menos pra mim, não precisa se sentir tanto, não vou mesmo te agarrar!’”, lembra Viana.

7 — “Mas precisa ficar se exibindo assim?”
Viu um casal homoafetivo se beijando? Entenda que é um direito dele, assim como do casal hétero. “Se uma mulher sentar no colo de outra, para muita gente, ainda é absurdo. Mas se uma mulher senta no colo do namorado, é visto de forma natural”, lembra Douglas Drumond.
Mudança de hábito

Ninguém é obrigado a saber de tudo. Na dúvida, cabe o respeito pelo outro. Errou, ofendeu sem querer? Peça desculpas. “Chamou uma travesti de ele, mas deveria ter chamado de ela? Corrija. A gente evolui quando interage com o outro”, fala Viana.

BOLSONARO CRITICA '' INTERVENÇÃO MILITAR BRANDA'' NO RIO DE JANEIRO

“No Haiti, você podia atirar. Aqui, como vai ser?”. Deputado Jair Bolsonaro se diz contra a intervenção militar no Rio de Janeiro



Fábio Góis, Congresso em Foco

Réu por incitação ao crime de estupro e injúria, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) disse nesta sexta-feira (16) que o modelo de intervenção federal determinada por Michel Temer na segurança pública do Rio de Janeiro, formalizada em decreto no início da tarde, se presta a “servir esse bando de vagabundos” – ou seja, aos membros do governo. Pré-candidato à Presidência da República, o parlamentar reclamou do fato que a decisão foi tomada “dentro de um gabinete” e não consultou as Forças Armadas.

“É uma intervenção decidida dentro de um gabinete, sem discussão com as Forças Armadas. Nosso lado não está satisfeito. Estamos aqui para servir à pátria, não para servir esse bando de vagabundos”, disse o deputado ao site O Antagonista.



Espécie de porta-voz de militares radiciais na Câmara e defensor do regime militar, Bolsonaro também se queixou da autorização para que os militares, que se instalarão em pontos de estratégicos do Rio de Janeiro por tempo indeterminado, atuem sem que lhes seja garantido o “excludente de ilicitude” – uma salvaguarda jurídica que garante a membros das Forças Armadas a inimputabilidade em caso de mortes por eles provocadas em combate.

“No Haiti, você podia atirar. Aqui como vai ser?”, indagou.

“Todo mundo diz que estamos em guerra. O Rio está em guerra. Mas que guerra é essa que só um lado pode atirar? Qualquer um do lado de cá, que tome uma medida de força, vai ter problemas depois na Justiça. Seja o policial militar, o civil ou o rodoviário federal”, acrescentou o presidenciável, para quem “o problema da segurança no Rio não vai ser resolvido por decreto presidencial, assinando um papel”.

A reportagem do Congresso em Foco, por meio de contato com diversos assessores, tentou falar com o deputado a respeito da intervenção federal no Rio de Janeiro – a primeira desde o fim da última ditadura militar no Brasil (1964-1985). Mas, segundo seus assessores, a orientação é a de que o deputado, ao menos por enquanto, vai se limitar à entrevista ao O Antagonista.
“Pressa e urgência”

A intervenção é uma resposta dos governos federal e estadual à escalada da violência no Rio. Durante o carnaval, foram registrados diversos arrastões, saque a lojas, assaltos em blocos carnavalescos, entre outros crimes. O general Walter Souza Braga Netto, chefe do Comando Militar do Leste, será o interventor e ficará diretamente subordinado a Temer.

“Não estávamos preparados. Houve uma falha nos dois primeiros dias, e depois a gente reforçou aquele policiamento. Mas eu acho que houve um erro nosso”, disse o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, na última quarta-feira (14).

Pezão afirmou nesta terça-feira (16), durante a cerimônia de assinatura do decreto, que o Rio de Janeiro “tem pressa e urgência” para resolver o grave crise de insegurança e violência no estado. Segundo o governador, apenas com as polícias Militar e Civil o estado não conseguiu “deter a guerra entre facções” agravada com a atuação de milícias no estado fluminense.

Veja o vídeo em que Bolsonaro defende a tortura:

TEMER DIZ QUE ACABA COM INTERVENÇÃO '' SE HOUVER VOTOS PARA A PREVIDÊNCIA''

Presidente Michel Temer deixa escapar que intervenção no Rio de Janeiro é um movimento que tem como pano de fundo a aprovação da Reforma da Previdência



Raquel Alves e Bruna Borges, JOTA


O presidente Michel Temer decidiu insistir na votação da Reforma da Previdência. Ainda sem votos para conseguir a aprovação da PEC 287/16, Temer disse que pedirá o fim da intervenção federal no Rio de Janeiro para assegurar a deliberação no plenário da Câmara tão logo reúna condições regimentais – votos – para aprovar a proposta de emenda constitucional.

“Decidimos ontem à noite com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), pela continuidade da Reforma da Previdência. Quando houver votos, farei cessar a intervenção”, afirmou após assinar o decreto para a intervenção federal no Rio de Janeiro destinado a vigorar até o fim de seu mandato.

A declaração de que pretende “fazer cessar” a intervenção é uma alternativa encontrada para por fim à polêmica instalada no Executivo e Legislativo sobre o futuro da reforma. Inicialmente, a ideia era “suspender” os efeitos da intervenção temporariamente, algo que no entendimento de técnicos legislativos ouvidos pelo Jota só poderia ser feito pelo Congresso Nacional mediante a edição de um novo decreto legislativo, proposto pelo presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Se garante uma saída legal para votar a reforma – quando houver votos – o “fazer cessar” a intervenção federal deixa em aberto o risco de judicialização futura de uma reforma da Previdência aprovada pelos deputados e senadores ao longo de 2018. Isso porque o texto constitucional diz que a Constituição Federal não pode ser alterada enquanto vigorar uma intervenção federal.

O dispositivo divide os técnicos legislativos. Há quem argumente que o Congresso pode discutir e votar a reforma – se houver votos – e apenas esperar pelo fim da intervenção federal para promulgar a emenda constitucional que altera a Carta Magna. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é simpatizante da ideia de seguir ao menos com os debates sobre a reforma e encontrar uma saída legal para colocar a PEC 287 em votação no momento imediato em que os 308 votos mínimos estiverem assegurados. “O debate continua. Se tiver votos, a gente pensa em como fazer”.

No entanto, servidores com larga experiência em votações – próximos a Temer e a Rodrigo Maia – rechaçam até mesmo a possibilidade da reforma ser discutida. “No meu entendimento, nem a discussão é permitida porque já faz processo legislativo”, afirma um técnico. “É burlar claramente a Constituição e vai dar problema lá na frente porque quem tem a palavra final nesse país não é o Congresso”, continua outro servidor.

Para este grupo, a limitação também valeria para outras PECs que tramitam em caráter ainda preliminar como é o caso da PEC do Foro Privilegiado (PEC 333/17) – que espera pela instalação da comissão especial para ter o mérito discutido pelos deputados.

A PEC da Reforma da Previdência está pautada para dia 20, mas Rodrigo Maia já admitiu que não haverá ambiente político para a discussão por causa da deliberação do decreto da intervenção federal. Com isso, o “calendário” fica adiado para a última semana de fevereiro. “E esse é o limite. A base não está confortável para votar a partir de março. O primeiro turno tem que ser em fevereiro. Tem que ter voto em fevereiro”, sentenciou Rodrigo Maia.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

ESTAMOS BEBENDO ÁGUA CONTAMINADA COM MICROPLÁSTICO


Todo mundo sabe, ou no mínimo desconfia, que o nosso uso exagerado de plástico não-biodegradável em embalagens e produtos traz consequências perigosas o ambiente e para nós mesmos. Mas você sabia que provavelmente está ingerindo fibras de plástico na água e comida que consome, independente de onde você more? Esta é a conclusão da pesquisa realizada pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Minnesota (EUA).

A equipe de pesquisadores analisou amostras de água de vários países do mundo, e constatou que as fibras de plástico estão saindo das torneiras de Nova York a Nova Delhi. Dos bebedouros do Capitólio dos EUA em Washington D.C., ao Lago Vitória (Uganda). O relatório afirma que todo mundo está consumindo microplástico em todo copo d’água.


O microplástico absorve substâncias químicas ligadas ao câncer e outras doenças, e essas substâncias são liberadas no corpo de quem bebe a água, seja um ser humano ou um peixe. Mais tarde, quem não é vegetariano consome a carne de peixes, bois e frangos, e acaba acumulando ainda mais material tóxico.

O mais preocupante é que não são apenas as sacolas plásticas, potes de cozinha e garrafas de bebidas que liberam o microplástico. Até as roupas sintéticas, sapatos, sofás, carpetes e cobertores contêm o material.

A notícia ruim é que não existe uma forma para filtrar o microplástico da água. “Temos dados suficientes sobre os impactos que isso causa na vida selvagem para ficarmos preocupados”, diz Sherri Mason, especialista em microplástico da Universidade Estadual de Nova York em Fredonia, que supervisionou as análises da pesquisa da Universidade de Minnesota. “Se está impactando a vida selvagem, como podemos pensar que não está nos impactando também?”, questiona ele.

Sinal de alerta

Anna Marie Mahon, do Instituto Galway-Mayo de Tecnologia (Irlanda), conduziu um estudo similar na Irlanda que também constatou que existe contaminação com microplástico na água da torneira e de poços.


“Se as fibras estão ali, é possível que também existam nanopartículas que não conseguimos medir. As nanopartículas podem penetrar nas células e órgãos, e isso seria preocupante”, afirmou ela ao The Guardian.

Estes estudos alertam para a necessidade urgente de desenvolvimento de outros materiais biodegradáveis para diminuir drasticamente a nossa dependência do plástico. [Ideapod]

Por Juliana Blume,

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

POR ORA, BRASIL ESTA FORA DA ROTA DOS OPIOIDES

(APIOIDES 2)
País está entre os menores com prescrição da droga no mundo

Cláudia Collucci
SÃO PAULO

Enquanto os EUA enfrentam uma epidemia de mortes causadas pelo uso de opioides e a Inglaterra viu dobrar a mortalidade por overdose de heroína nos últimos cinco anos, o Brasil parece passar incólume pelo abuso dessa substância.

Algumas hipóteses explicam a razão disso. A primeira delas é que estamos entre os países com as menores taxas de prescrição de opioides do mundo.

Segundo estudo publicado em 2015 no periódico científico "Journal of Pain Research", o Brasil tem um consumo de 7,8 mg de opioides (como morfina) por pessoa por ano, quando a taxa "ideal" é quase 25 vezes esse número.

Ocorre que, por uma série de burocracias para a prescrição desses medicamentos, preconceito e até falta de segurança do médico, os brasileiros têm pouco acesso a essas drogas. 


Embalagem de oxicodona de 40mg, fabricada pela Purdue Pharma - George Frey - 25.abr.2017/Reuters

Se por um lado isso nos "protege" contra o uso abusivo da substância, por outro faz com que muitos doentes terminais morram com dor.

Curiosamente, o consumo de opioides é um dos componentes do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de um país. Quanto maior a utilização, maior é o IDH. Isso significa que a dor está sendo tratada e que as pessoas têm mais qualidade de vida. Em 2015, um terço dos americanos recebeu prescrição para usar opioides, segundo dados do governo federal dos EUA.


Mas isso pode mudar. Ano passado, uma comissão criada pela gestão Donald Trump defendeu que os médicos criem novas formas de tratar os cerca de 100 milhões de adultos americanos que sofrem de dor crônica.

A experiência americana mostra que o consumo de opioides legais (como fentanil, metadona e oxicodona) leva muitas pessoas à dependência. Quando já não conseguem a droga com prescrição médica, acabam buscando a heroína, que tem efeitos parecidos.

O Brasil também não tem grandes problemas com a heroína porque muito raramente a recebe.

Um das explicações é que o tráfico se utiliza de rotas comerciais estabelecidas para distribuir as drogas. E como há um número reduzido de rotas entre Brasil e Ásia (de onde a droga é originada), ela nunca foi muito disseminada por aqui.

O alto preço também é outro fator que inibe o comércio. Estima-se que um grama de heroína custe em torno de U$ 150 (R$ 490). Já uma pedra de crack é vendida por cerca de R$ 10 na cracolândia, no centro de São Paulo.

Maior mercado mundial de crack e o segundo de cocaína, o Brasil está longe de uma situação confortável em relação à dependência química.

Mas neste momento em que os EUA vivem uma emergência em saúde pública causada pelo abuso de opioides, não deixa de ser um alívio o país estar fora do mapa desse vício.
FOLHA DE SÃO PAULO

CIDADES ABREM MEGAPROCESSO CONTRA O FABRICANTES APIOIDES NOS EUA

APIOIDES (1)
Governos citam alto custo que epidemia traz; farmacêuticas atribuem crise ao uso indevido

Paula Leite
SÃO PAULO

Ambulâncias, médicos e remédios para dependentes com overdose. Legistas para os que morrem, vítimas das drogas ou da violência associada. Assistentes sociais para crianças cujos pais não conseguem mais cuidar delas. Clínicas para tratar quem tenta se livrar do vício.

A proliferação dos medicamentos opioides, declarada emergência de saúde pública pelo governo dos EUA, ameaça agora a saúde financeira de cidades e condados do país, responsáveis pela maior parte desses serviços.

Pressionados pelos gastos decorrentes da epidemia, milhares de governos municipais e condados (área administrativa na qual os Estados são divididos) vêm processando na esfera civil as fabricantes e distribuidoras de medicamentos opioides, buscando reparação por prejuízos causados pelos produtos.


Centenas desses casos abertos na Justiça Federal dos EUA foram consolidados em um grande processo federal na Corte Distrital do Norte de Ohio, em Cleveland. No fim de janeiro, o juiz Dan Polster fez as primeiras audiências do megaprocesso, que envolve centenas de advogados. As próximas serão em março. 


O paramédico Rick Yunker atende homem com overdose de opioide no banheiro de uma loja de donuts em Everett, na região de Boston, Massachusetts - Brian Snyder - 19.out.2017/Reuters

Especializada em representar consumidores prejudicados por produtos de empresas farmacêuticas e de saúde, a advogada Jayne Conroy diz que o tamanho do processo federal contra as fabricantes de opioides é inédito.


"Nunca tive um processo contra a indústria farmacêutica que tivesse lidado com tamanha epidemia", disse ela à Folha. Conroy já processou a Johnson & Johnson por defeitos em implantes de quadril, e a Bayer em nome de mulheres que tiveram efeitos cardiovasculares depois de tomarem pílulas anticoncepcionais, entre outros casos.

O escritório do qual é sócia, o Simmons Hanly Conroy, de Nova York, foi apontado um dos três líderes dos requerentes na ação julgada pelo juiz Polster. A firma representa mais de 200 cidades e condados no processo.

Ações com alegações similares também foram abertas por Estados contra as farmacêuticas --Ohio, Novo México e Mississippi tem processos na Justiça estadual. Além disso, ao menos 35 Estados se juntaram para investigar as práticas das companhias.


TABACO


O caso do juiz Polster é comparado ao processo civil contra as principais fabricantes de cigarros, que, processadas por 46 Estados, em 1998 concordaram em pagar US$ 248 bilhões (cerca de US$ 373 bilhões hoje) para mitigar os efeitos do tabaco na saúde pública e para campanhas de redução dos fumantes.


As entidades governamentais dizem sofrer prejuízos com os opioides que vão dos serviços de emergência e polícia ao afastamento de funcionários públicos viciados, além do tratamento de bebês que nascem viciados.


Pesquisa do governo federal estima que, em 2016, quase 92 milhões de americanos usaram medicamentos opioides disponíveis sob prescrição médica; no mesmo ano, mais de 42 mil pessoas morreram no país de overdose desse tipo de medicamento ou de seus "primos" ilegais, como a heroína. Os opioides custaram à economia US$ 504 bilhões em 2015, segundo estimativa divulgada pela Casa Branca no ano passado.

Pílulas de oxicodona, medicamento fabricado pela Purdue Pharma - Tony Talbot - 19.fev.2013/Associated Press

Condados e cidades alegam que fabricantes como a Purdue Pharma e a Teva promoveram os remédios mentindo sobre a segurança e o risco de dependência.


A Purdue é uma empresa familiar e não publica dados financeiros; estima-se que tenha receita anual de US$ 3 bilhões vinda principalmente do remédio opioide OxyContin (oxicodona), segundo a revista "Forbes". A família Sackler, dona da empresa, tinha US$ 14 bilhões em 2015, tornando-a uma das 20 mais ricas do país. A Teva, de origem israelense, teve faturamento de US$ 21,9 bilhões em 2016 e produz medicamentos genéricos de vários tipos.


Os requerentes também afirmam que empresas como AmerisourceBergen, Cardinal Health e McKesson, que distribuem no atacado os medicamentos às farmácias, tinham a obrigação de informar a DEA (agência responsável pelo combate às drogas nos EUA) sobre compras suspeitas desses medicamentos.

Jornais dos EUA já revelaram casos como o de Williamson, Virgínia Ocidental, cidade de 2.900 habitantes que recebeu 20,8 milhões de pílulas de opioides em dez anos.

BRASIL NA MIRA


A advogada Conroy conta que representou cerca de 5.000 consumidores viciados em oxicodona em ação contra a Purdue no final dos 1990, tendo conseguido um acordo financeiro em 2007, quando a epidemia de opioides ainda não era aparente.

"Esse negócio era tão lucrativo que nenhuma dessas empresas parou", mesmo depois desse acordo e das acusações criminais federais.

Ela alerta: sob pressão da opinião pública e dos processos nos EUA, as empresas vão buscar mercado em outras partes do mundo, como a América Latina. "Vocês são o próximo alvo. Eles vão tentar o mesmo truque de marketing aí", diz, lembrando a estratégia da indústria de tabaco.


No Brasil, a Mundipharma, associada à Purdue, atua desde 2013 e vende medicação para dor, inclusive opioides.


As fabricantes de opioides, usados para o tratamento da dor, afirmam que eles são seguros se consumidos da forma indicada e sob supervisão médica. A Purdue diz que apoia ações para combater a epidemia de opioides nos EUA e lançou pílulas mais difíceis de pulverizar (o que dificulta o consumo por aspiração ou injeção). "As necessidades e a segurança dos pacientes têm guiado nossos passos", afirma a empresa em carta publicada em seu site.


                                         O juiz Don Polster em seu escritório em Cleveland, Ohio - Tony Dejak - 11.ja.2018/Associated Press


Apesar disso, após uma investigação federal criminal, a empresa admitiu em 2007 ter mentido sobre o potencial viciante dos remédios.

Alguns especialistas creem que os requerentes no processo terão dificuldade de provar a responsabilidade das farmacêuticas, pois a maior parte das mortes resulta do uso indevido dos remédios.

Em decisões anteriores em ações de indivíduos contra as empresas, os juízes americanos entenderam que os dependentes são responsáveis pelo dano ao usarem remédios comprados ilegalmente ou diferente da prescrição.

Polster já disse em entrevistas que seu objetivo é um acordo financeiro rápido.

Para as farmacêuticas, isso evitaria se defender em milhares de casos separados; para os governos municipais e os condados, o dinheiro para mitigar os gastos com a crise chegaria mais rápido.

FOLHA DE SÃO PAULO

INOCENTADO NO CRIME DA RUA CUBA É HOJE ADVOGADO NA LAVA JATO

Em 1988 Jorge Bouchabki foi acusado de matar os pais, mas a Justiça o absolveu 

Wálter Nunes
SÃO PAULO

​Há cerca de quatro anos, o advogado Jorge DelmantoBouchabki chegou para uma audiência e viu que na lista que o funcionário do tribunal trazia na mão, seu nome vinha acompanhado de uma anotação: rua Cuba.

O endereço era referência a um dos mais famosos crimes da década de 1980.

Na véspera do Natal de 1988, o advogado Jorge e sua mulher, Maria Cecília, pais de Bouchabki, foram mortos em sua casa localizada no Jardim América, bairro nobre da capital paulista.

O rapaz, então com 18 anos, foi acusado pelo Ministério Público de São Paulo de ser o autor dos disparos.

Jorge Bouchabki, que em 1988 foi acusado de ser assassino dos pais, absolvido pela Justiça no caso conhecido como Crime da Rua Cuba, hoje é advogado com casos na Lava Jato. 


 Karime Xavier - 6.fev.2018/Folhapress

Absolvido pela Justiça por falta de provas em duas instâncias –a última, em 1999– Bouchabki não conseguiu apagar por completo o estigma da acusação.

"Eu nunca fui tratado como suspeito. Ser tratado como suspeito eu até entenderia. Mas me trataram sempre como culpado. Eu fui condenado pela imprensa", diz o hoje advogado em entrevista à Folha –a primeira vez que fala à imprensa, segundo ele, em 27 anos.

"Mas a vida é redonda", arremata, para dizer que deu a volta por cima. Aos 47 anos, ele segue frequentando tribunais, mas para defender seus clientes –entre eles, réus em cinco processos ligados à Operação Lava Jato.

Bouchabki é advogado de João Muniz Leite na ação em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de ser o verdadeiro dono de um apartamento vizinho ao seu, em São Bernardo do Campo.

O imóvel está no nome do empresário Glaucos da Costamarques e foi comprado com dinheiro da Odebrecht.

A defesa de Lula diz que o ex-presidente alugava o apartamento para acomodar seus seguranças.

Leite trabalhou como contador para o petista e foi quem levou os recibos do aluguel do imóvel para Costamarques assinar.

Os comprovantes foram apontados como verdadeiros por uma perícia contratada pela defesa de Lula, mas os procuradores insistem que são falsos e que o apartamento é, na verdade, propina paga pela empreiteira.

Outro réu defendido por ele é Alexandre Margotto, ex-sócio do operador Lúcio Funaro, acusado nas operações Cui Bono? e Sepsis de participar de um esquema que extorquia dinheiro de empresários com interesse em financiamentos na Caixa. Bouchabki atua ainda em processos da operação Greenfield, que investiga desvios em fundos de pensão, e da Porto Victória, que apura uma quadrilha especializada em evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Na última sexta-feira (2), o advogado recebeu a Folha em seu amplo escritório no Jardim Guedala, um bairro residencial arborizado, na zona sul paulistana.

Ele diz que, apesar de ter passado tanto tempo sem falar com a imprensa, nunca teve nada a esconder.

"Eu não tenho problema em falar sobre o assunto. Eu não matei meus pais. Estou tranquilo", diz.

Nas duas salas ao lado trabalham seus dois irmãos, Marcelo e Graziela, também advogados. Na época do crime, eles tinham respectivamente 14 e 10 anos. "Eles estariam aqui comigo se eu tivesse matado os pais deles?", pergunta.

Após o crime, ele, Marcelo e Graziela foram morar com a avó materna, Cecília. Ela foi uma das suas testemunhas no processo do assassinato dos pais. "Minha avó nunca desconfiou de mim. Ela disse para o juiz: 'quero que vocês saibam que estou defendendo meu neto, mas se lembrem que a pessoa que foi assassinada foi a minha filha. Eu nunca defenderia o assassino da minha filha'", relembra Bouchabki.

Ao acusá-lo do assassinato, polícia e Ministério Público apontaram como motivo um desentendimento com os pais, que não aprovavam seu namoro. "Minha mãe não gostava do namoro, mas isso não era nada de mais. Chegaram a dizer que minha mãe teria me batido com um taco de sinuca nas costas durante uma discussão. Isso é um absurdo. Eu nunca briguei com a minha mãe", diz Bouchabki, hoje casado e sem filhos.

Ele e os irmãos têm três suspeitas sobre a autoria do crime da rua Cuba. Duas são de casos concretos em que o pai contrariou interesses de outras pessoas e a terceira suspeita é de um assalto comum. Ele, porém, não quer apontar para ninguém.

"Eu já fui vítima de uma acusação sem provas e não quero cometer o mesmo erro que cometeram comigo", diz.

Crime da Rua Cuba

Residência da família Bouchabki 14.jan.1989/ Folhapres


PARANOIA

No ano seguinte ao homicídio dos pais, Bouchabki mudou-se para Ribeirão Preto, interior de São Paulo, para cursar direito numa faculdade particular. Tentou levar uma vida normal de estudante universitário até ser flagrado por um fotógrafo numa festa a fantasia.

A imagem nunca veio a público, mas a partir dali ele deixou de pôr os pés para fora de casa. "Eu não ia a restaurantes porque ficava pensando que na mesa ao lado teria sempre alguém falando de mim. Eu chegava a escutar 'rua Cuba', quando na verdade estavam falando do jogo do Corinthians", diz. "Eu também não queria que um amigo passasse por um constrangimento por minha causa."

Bouchabki formou-se numa profissão em que a família já tinha um caminho pavimentado. Seus tios Celso e Roberto Delmanto são autores de um dos códigos penais comentados mais vendidos do país.

Ele chegou a ser convidado a fazer parte da banca dos parentes, mas se recusou, para começar do zero um escritório próprio. Montou sozinho, em 1995, seu escritório no centro de São Paulo. Os primeiros poucos clientes foram indicados por amigos. Quatro anos mais tarde, seu irmão se juntou a ele e fundaram o Delmanto Bouchabki Advogados.

Calculou que fazia sentido batizar a banca com a junção do sobrenome materno, tão conhecido nos tribunais, e o Bouchabki do pai, marcado pela repetição na crônica policial. "Eu não tenho razão para esconder [o sobrenome Bouchabki]. No final das contas tudo o que aconteceu comigo me forjou como advogado. Se hoje eu sou agressivo na defesa dos meus clientes, é porque eu também já fui acusado injustamente. Eu sei o que eles [os acusados] passam", diz.

Nos 23 anos de advocacia, ele defendeu cinco réus apontados como autores de homicídios. Absolveu todos.

Esse tipo de caso desapareceu conforme o escritório foi crescendo, mas o advogado se lembra de um processo marcante, envolvendo um jovem acusado de matar o dono de um posto de gasolina durante um assalto.

"O menino foi levado pela polícia um dia após o crime, quando estava numa padaria com amigos. Foi reconhecido por cinco pessoas. Eu consegui demonstrar que os reconhecimentos foram forjados. Uma das testemunhas nem sequer tinha ido à delegacia. Outra, era analfabeta e 'assinou' o reconhecimento sem saber o que estava assinando", disse.

O rapaz tinha 18 anos quando ficou preso por cinco meses, mesma idade de Jorge Bouchabki quando foi acusado de matar os pais.

O advogado vê semelhança nas duas histórias. "A polícia e o Ministério Público investigam mal. Por isso tanta gente é processada e julgada por um crime que não me cometeu", diz Bouchabki.

"No meu caso ainda teve como agravante o papel da imprensa produzindo manchetes me incriminando. O interesse na autopromoção dos acusadores passou por cima da busca da verdade real dos fatos. Isso fez com que o verdadeiro culpado nem sequer fosse investigado", disse. Bouchabki não chegou a ser preso.

MANCHA

Jorge Bouchabki guardou durante anos tudo o que era publicado sobre ele. Acumulou recortes de jornais e revistas. Pensou em processar os autores das reportagens, mas preferiu não levar adiante. "Joguei tudo fora anos atrás, nem me lembro quando." Mas conserva na memória boa parte das matérias.

"Eu sofri um bombardeio. Um dia um perito foi em casa e achou uma mancha azul num colchão que ficava embaixo da minha cama. Era uma mancha de caneta que tinha estourado, mas na imprensa saiu que a perícia tinha achado uma mancha no meu quarto que podia ser de sangue dos meus pais", diz.

"Outra vez um policial entrou no sótão de casa e sujou a camisa nas paredes empoeiradas. Tirou a camisa e saiu de casa com ela na mão, vestido apenas com a camiseta que estava por baixo. No dia seguinte havia uma matéria dizendo que a polícia achou uma camisa com vestígios de sangue no meu quarto".

Ele reclama até da maneira como o identificaram nas reportagens. "Eu nunca fui chamado de Jorginho. O meu apelido em casa e com os amigos era Ginho. Esse negócio de Jorginho foi invenção de jornalistas. Eu odeio ser chamado assim", diz. "Por isso eu peguei aversão a policial, promotor e a jornalista."

Em 2010, porém, a família de um delegado preso numa operação da Polícia Federal bateu à sua porta. No primeiro encontro com o cliente preso, foi perguntado pelo policial o que achava da profissão que ele exercia.

"Eu disse que não gostava e contei o que tinha acontecido com minha vida, mas que iria defendê-lo da melhor forma", diz.

"No final das contas, o caso era uma enorme injustiça contra ele, que foi absolvido em segunda instância nos sete processos. Hoje somos amigos", disse. "A vida é redonda", arremata.
FOLHA DE SÃO PAULO

CRIME DA RUA CUBA COMETIDO PELO DELEGADO GERAL DE ALUGUEL ... NÃO ELEITO PELOS PARES E TRAIDOR DA CLASSE

Postagem em 18/09/2008

por FLIT PARALISANTE 

Quase vinte anos depois da morte dos pais, Jorge Delmanto Bouchabki não se livrou da suspeita de tê-los matado , enquanto dormiam, na residência de número 109 da Rua Cuba, endereço elegante de São Paulo. 

Ali, o advogado Jorge Toufic Bouchabki e sua mulher, Maria Cecília, foram assassinados na véspera do Natal de 1988. 

Ele tinha 19 anos quando o crime ocorreu. 

De acordo com o Código Penal, quem é acusado de um crime com menos de 21 anos de idade tem reduzidos de metade os prazos de prescrição. 
No caso de Jorginho, sua responsabilidade criminal foi extinta. 
A empregada doméstica Olinda Oliveira da Silva, em depoimento colhido por Promotores e pelo Delegado Luiz Carlos Ferreira Sato, em 1998, contou que, na véspera do assassinato, Jorginho discutiu com a mãe. 

Ela não aceitava o namoro do filho com a estudante Flávia Soares. 
De acordo com a empregada, o bate-boca terminou quando Maria Cecília quebrou um taco de sinuca nas costas de Jorginho. 

Aos gritos, ele teria dito que a mãe se arrependeria por ter-lhe batido. Essa versão contradiz o depoimento de Olinda dado na ocasião dos fatos, quando afirmou que o relacionamento familiar era harmonioso. 

O delegado perguntou por que Olinda omitiu estes detalhes quando ouvida pelo delegado José Augusto Veloso Sampaio e pelo promotor Luiz Antônio Guimarães Marrey, responsáveis pela investigação. Ela informou que a família “pediu para não dizer nada…”

Ela jamais explicou por que mudou de opinião 
O inquérito sobre o crime da Rua Cuba entrou para a crônica policial paulistana por causa da suspeição que recaiu sobre o filho das vítimas. 

Foi arquivado em 1991, quando o juiz Linneu de Carvalho Sobrinho alegou falta de provas contra Jorginho. 

O rapaz chegou a se mudar para Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em busca do anonimato. 

Cursou Direito numa universidade da cidade. 

Foi expulso duas semanas antes da formatura, acusado de pagar a faculdade com cheques furtados de Enia Luciane da Silva, funcionária da instituição de ensino. Jorginho voltou à capital e conseguiu colar grau em outra universidade. 

A polícia e o Ministério Público não produziram provas materiais consistentes: a arma do crime nunca foi encontrada.

POSTERIORMENTE

Crime da rua Cuba

Juiz nega indenização por danos para irmãos Bouchabki
No dia 24 de dezembro deste ano, um dos assassinatos mais conhecidos de São Paulo completa 16 anos: o ‘crime da rua Cuba’.

Se para muita gente a morte do casal Bouchabki já caiu no esquecimento, nos tribunais a história ainda está longe do fim.

No último dia 29 de setembro, o juiz Alexandre Alves Lazzarini, da 16ª Vara Cível de São Paulo, rejeitou ação de indenização por danos morais movida pelos três filhos do casal assassinado contra o advogado criminalista Paulo José da Costa Júnior, autor do livro “Crimes famosos”.

Ainda cabe recurso.

Na ação, o advogado Jorge Delmanto Bouchabki e seus irmãos Marcelo e Graziela pedem indenização ao autor do livro.

Alegam que foram ofendidos em entrevista concedida por Costa Júnior ao apresentador Jô Soares.

O programa, transmitido pela TV Globo e pela rádio CBN, foi veiculado no dia 5 de novembro de 2002.
Questionado por Jô Soares sobre o ‘crime da rua Cuba’, Costa Júnior fez um breve histórico sobre o assassinato do casal Jorge Toufic Bouchabki e Maria Cecília Delmanto Bouchabki.

Na entrevista, o autor do livro disse que, após juntar todos os elementos do caso, chegou a conclusão de que Maria Cecília foi morta pelo marido e que este teria sido assassinado por seu filho.

O caso ganhou repercussão após o Ministério Público ter denunciado Jorge Delmanto (o filho mais velho) como autor de duplo homicídio qualificado contra o pai e a mãe.

O processo foi trancado e Jorge Delmanto acabou sendo impronunciado por falta de provas.

Os advogados de Costa Júnior na área cível são Paulo Esteves e Sérgio Toledo.
Na área criminal, ele é representado pelo advogado Antônio Carlos Mariz de Oliveira.
Bouchabki entrou na Justiça com duas queixas-crime.

A primeira, por injúria calúnia e difamação, foi motivada pela publicação do livro de Costa Júnior.

A segunda, também pelos três crimes contra a honra, baseou-se na entrevista dada ao “Programa do Jô”. Inicialmente, a Justiça paulista trancou as duas queixas-crime.
Só a ação indenizatória ainda aguardava julgamento.

Na decisão de setembro, o juiz Lazzarini destacou que o ‘crime da rua Cuba’ foi amplamente debatido na época e que ainda merece considerações.

Para fundamentar a rejeição do pedido, Lazzarini transcreveu parte do voto do juiz Pinheiro Franco.

Nele, o juiz afirma que “imputar é atribuir, indicar ou apontar alguém como responsável por um fato.

Mas, para que essa imputação possa ser punida como crime, ela deve ser falsa e o fato definido como infração”.

Mais adiante, o juiz Franco ressalta que “o exame da prova evidencia que a imputação é parcialmente verdadeira.

Parcialmente, porque apenas o querelante Jorge foi denunciado pela prática de duplo homicídio qualificado contra o pai e a mãe, não constando dos autos onde apurado o crime qualquer alusão ou conclusão formal — ao menos as peças trazidas não fazem referência a isso — no sentido de que o pai teria, precedentemente, matado a esposa”.

Segundo ele, “a veracidade da imputação, assim, apenas favoreceria o paciente quanto ao querelante Jorge, que efetivamente foi acusado pelo duplo homicídio e que, por falta de provas, foi impronunciado.

Razoável entender-se, então, ante tal quadro que a imputação, pelo antecedente, era verdadeira e que o paciente limitou-se, assim, a narrar um fato do conhecimento público, ainda que a sentença de impronúncia possa equivaler à de absolvição”.

Quanto à entrevista, Pinheiro Franco disse que “não se tem dúvida” que as declarações de Costa Júnior “não tiveram a menor conotação de ferir a honra do querelante e de seus familiares, ou ainda a memória de Jorge”.

O juiz Lazarini completa: “Verifica-se assim, que não houve qualquer ofensa ao co-autor Jorge ou aos seus familiares que justifiquem o pedido de indenização, razão pela qual a pretensão de deduzida é improcedente”.

Em 2002, outro filho do casal assassinado (Marcelo Delmanto) tentou impedir a circulação do livro “O crime da rua Cuba”, escrito pelo jornalista Percival de Souza.
Revista Consultor Jurídico, 22 de novembro de 2004

O LIVRO DE PERCIVAL DE SOUZA

No livro “O Crime da Rua Cuba”, de Percival de Souza, 9ª edição, p. 64, lê-se a opinião do então delegado-geral de Polícia Amândio Malheiros Lopes;
“… o advogado Jorge Bouchabki matou sua mulher, a professora Maria Cecília Delmanto Bouchabki, com dois tiros na cabeça e a seguir suicidou-se…”.

Na página 63, constou:

“… houve quem quisesse explicar tudo com a tese de que o rapaz teria surpreendido o pai, que havia acabado de atirar na mãe… Mas, não foram essas únicas hipóteses que circularam sobre o caso, pois centenas de pessoas, empenhadas em decifrar o enigma, buscavam sua explicação pessoal para o crime da Rua Cuba. De qualquer modo, as especulações nasciam e se multiplicavam exatamente porque ninguém consegue entender o que realmente aconteceu no quarto dos Bouchabkis. A mudança dos corpos na cama… a alteração do local do crime… a ausência de qualquer vestígio de violência nas fechaduras, portas e janelas…”.
Na página 65:

“… Jorginho, além dos banhos de sol logo após o crime, e da frieza aparente na concorrida missa de Sétimo Dia da morte dos pais (todos abalados, inclusive Roberto Delmanto, que dava a impressão de ser um homem destroçado), também aproveitou e pulou normalmente o carnaval.
Estranho ou não?…”

AS MISTERIOSAS INTERVENÇÕES POLÍTICAS

José Augusto Veloso Sampaio, Delegado do DHPP, foi pressionado pelo Delegado Geral Amândio Augusto Malheiros Lopes – “Peculatário Mor” durante o Governo Quércia – no sentido de que a versão policial fosse naquele sentido, ou seja, homicídio seguido de suicídio.

Não acatou; logo depois de concluir o inquérito foi removido do DHPP para um plantão do DECAP.

Foi duramente massacrado pelo advogado José Carlos Dias (ex-secretário de justiça e de segurança de SP ), em face de indiciar o rapaz por duplo homicídio qualificado.
As palavras mais doces: de conhecida incompetência desde que era escrivão.

Nem sequer dispensaram Veloso Sampaio do plantão noturno na véspera do seu depoimento em Juízo.

De tão abalado mal conseguiu sustentar as conclusões postas nos autos do inquérito.

Malheiros Lopes – caso fosse eleito pelos pares – advogaria a versão “menos ruim” para a família?

Diga-se de passagem, cujo único objetivo era poupar de maiores sofrimentos a mãe da falecida, supostamente morta pelo querido neto.

E o rapaz – caso inocente – por tantos atropelos patrocinados pelo Delegado Geral, será eternamente suspeito. Pois não se esclareceu nem uma, nem outra versão.
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18/09/2008
ROBERTO DELMANTO E A SUA "OPINIÃO PUBLICADA"…talvez fabricada a pedidos 12

por FLIT PARALISANTE •

O advogado Roberto Delmanto, considerado um dos principais criminalistas do país, considera “temerário” e “inadequado” que o chefe da Polícia Civil seja eleito por delegados e agentes, como reivindicam sindicatos da categoria ao governo de São Paulo para não entrar em greve. A nomeação do delegado-geral é atribuição exclusiva do Executivo -governo José Serra (PSDB).

Além de poder participar da escolha do delegado-geral, cargo que responde diretamente ao gabinete do secretário de Estado da Segurança Pública, sindicatos de policiais pedem reajustes salariais de 58% a 200%. Delmanto avalia que a função de delegado-geral deve ser mantida com pessoas alinhadas ao governo do Estado, e não indicada por possíveis grupos formados no corpo funcional da Secretaria da Segurança Pública.

“Parece-me inadequado imaginar o delegado-geral como pessoa que não se afine com a política do Estado”, disse Delmanto, em entrevista à Folha.

FOLHA – Como o sr. avalia a pretensão dos policiais e delegados de ter algum tipo de influência na escolha do chefe da Polícia Civil, como reivindicam entidades da categoria?

ROBERTO DELMANTO – Um cargo dessa importância deve ser mantido em livre escolha do governador. Como poderíamos ter um delegado-geral com uma postura diferente daquela exigida pelo secretário? Não dá para conceber como exatamente funcionaria isso.

FOLHA – O que poderia ocorrer?

Seria algum tipo de descompasso entre a política do Estado e a postura do delegado-geral?
DELMANTO – Parece-me inadequado imaginar o delegado-geral como pessoa que não se afina com a política do Estado. É temerário, ainda mais em uma área de tamanha importância, tão problemática, com índices de violência sempre altos.
O pedido é inadequado. E mais inadequado ainda é tratar desse assunto com ameaça de greve.

FOLHA – Como deve ser então a postura do governo em relação a essa reivindicação dos policiais?

DELMANTO – O governo não deve abrir mão de manter a gestão da segurança pública.

Seria como fazer o mesmo [permitir uma espécie de eleição] com o comando da Polícia Militar.

FOLHA – Essa discussão deve ser encaminhada de que forma?

DELMANTO – Se for um assunto para ser tratado, deve-se pensar em uma legislação específica, de mudar uma lei, se for o caso. Mas não vejo nenhum motivo para mudar o sistema, é um cargo de confiança, um dos principais. Deve ser mantida essa prerrogativa do Poder Executivo.
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ROBERTO DELMANTO É TIO DO RAPAZ QUE FOI ACUSADO PELO CRIME DA “RUA CUBA”.
A CONCLUSÃO SERÁ DO LEITOR…