quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

TESTES COM NOVO BIARTICULADO EM CURITIBA VÃO ATÉ FEVEREIRO

(foto: Cesar Brustolin/SMCS)


O biarticulado da empresa Scania, que está sendo testado com passageiros nas canaletas da Curitiba, tem agradado passageiros e motoristas. O ônibus com prefixo XY036 circulará na linha Santa Cândida-Capão Raso até fevereiro. Depois poderá seguir para outra linha.

O espaço interno foi o item mais elogiado neste segundo dia de circulação. A consultora de vendas Rolei Kimie usa diariamente a linha para trabalhar e disse que notou diferença. “Achei maior o espaço para as pernas entre um banco e outro”, disse. Ela também afirmou que o formato da cabine do motorista parece ser um fator de segurança. “Entrei pela porta 1 e já notei que o motorista estava mais separado dos passageiros, achei mais seguro”.

Avaliação

Nesta semana o ônibus novo tem uma tabela horária reduzida no horário de pico da manhã, das 5h10 às 9h. Depois circulará com uma tabela maior. As viagens do biarticulado serão acompanhadas por um fiscal da Urbs para acompanhar o desempenho operacional como tabela horária do veículo, funcionamento das portas, acessibilidades e até a opinião dos passageiros e motoristas.

O ônibus foi desenvolvido especialmente para as especificações de Curitiba, com o embarque em nível. Até agora, apenas a Volvo fabricava biarticulados no padrão da cidade.

O estudante Jeferson Simões também aprovou o ônibus. “A impressão que tive foi de que é mais espaçoso. Também achei mais silencioso”, disse. A aparência do ônibus é a mesma dos biarticulados da capital paranaense, 28 metros de comprimento, capacidade para 270 pessoas e motor dianteiro Euro 5 a diesel.

Quem dirigiu o ônibus nesta quarta-feira (6) foi motorista Fabiano da Fonseca Souza, da empresa Viação Sorriso, responsável até fevereiro pelo veículo. Condutor de biarticulados há seis anos ele destacou a ergonomia como ponto positivo. “A direção é muito confortável e o volante parece ser mais firme também”. Porém, o motorista afirmou que há um pouco de calor dentro da cabine. “Senti calor aqui dentro, e isso é um item que poderiam acertar”, afirmou o motorista.

Antes de entrar em operação com passageiros, nesta terça-feira, a equipe técnica da Urbs avaliou as especificações do veículo Scania para conferir se realmente estavam adaptados para as condições da cidade, como por exemplo, modulação das portas, acessibilidade, dispositivos de segurança, embarque em nível que um dos grandes diferenciais do transporte coletivo de Curitiba.
BEM PARANÁ

O JOVEM DE 27 ANOS POR TRÁS DA CANDIDATURA DE MARINA SILVA

lançamento da pré-candidatura de Marina Silva à Presidência da República, um jovem de cabelos ruivos, camisa verde e sardas no rosto destoava do grupo que de políticos que acumulavam fios grisalhos e marcas de expressão facial

Edson Sardinha, Congresso em Foco



No lançamento da pré-candidatura de Marina Silva à Presidência da República, um jovem de cabelos ruivos, camisa verde e sardas no rosto destoava do grupo que de políticos que acumulavam fios grisalhos e marcas de expressão facial. Aos 27 anos, o paulista José Gustavo Favaro Barbosa Silva foi o último a discursar antes da grande estrela do evento. E do lado esquerdo dela permaneceu sentado o tempo todo. O administrador público nascido em São Carlos e formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara é o mais jovem presidente de partido da história do país. Ou porta-voz, como a Rede designa o principal cargo da legenda.

Zé Gustavo, como é conhecido, comanda desde 2015 a legenda que Marina idealizou. Ele deixará o cargo em março de 2018, quando haverá eleição para definir o novo quadro de dirigentes da sigla. De março a outubro, terá de conciliar o papel de um dos mais próximos aliados de Marina com sua candidatura a deputado federal. Na primeira tentativa, em 2014, quando tinha 24 anos, recebeu 14.474 votos, em 54% dos municípios paulistas.

O perfil dele se difere da maioria daqueles que chegam no auge da juventude ao Congresso ou ao comando das máquinas partidárias. Filho de uma empregada doméstica e de um representante comercial, foi o primeiro de sua família a estudar em universidade pública. É também o primeiro a entrar para a política. “As pessoas perguntavam para minha mãe, que é empregada doméstica, o que filho dela fazia. Ela respondia: ele está envolvido em política, parecia até que eu traficava drogas (risos). Foi desse lugar que eu vim”, conta.
Experiência e juventude

O jovem por trás da candidatura de Marina faz parte de um grupo formado por conselheiros pra lá de experientes, como o deputado Miro Teixeira (RJ), o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) Bazileu Margarido, coordenador-executivo da Rede, e a ex-senadora Heloisa Helena, uma das melhores amigas da pré-candidata. Heloísa permaneceu sentada à direita de Marina durante o anúncio de sua candidatura.

Primeiro filiado da Rede, Miro é o político há mais tempo na Câmara, aonde chegou com 26 anos, em 1971. De lá para cá, o colega de partido de Zé Gustavo acumula 11 mandatos. Em 1990, quando o presidente do partido nasceu, Miro já estava no Parlamento havia duas décadas.

A diferença de idade, segundo ele, longe de representar conflito, rende enriquecimento de experiência. “Aprendemos um om outro. Nós temos paciência com os mais velhos, e eles também têm paciência conosco e abrem espaço pra gente.”

Mais da metade dos dirigentes nacionais, estaduais e municipais da Rede tem menos de 35 anos, como ele. “Temos a característica da aliança intergeracional e também de gêneros. Queremos ter metade das direções nas mãos de mulheres a partir do ano que vem”, conta.

Mesmo sendo 32 anos mais jovem do que a líder do partido, Zé diz ter dificuldade para acompanhar o ritmo da ex-senadora, que, ao contrário que seus adversários dizem, nunca pára. “Com 59 anos, Marina têm um fôlego e uma energia que só não a conhece acha que ela está parada. Eu, com 27, tenho dificuldade de correr atrás dela”, diz.
O primeiro contato

Marina e Zé Gustavo se conheceram em 2011, quando ele era um dos organizadores do X Encontro Nacional de Estudantes de Administração Pública, em Serra Negra, interior paulista. O interesse por Marina, conta ele, nasceu em 2010, quando ela já havia trocado o PT pelo PV. Naquele ano, ele acompanhou do Canadá a campanha presidencial de Marina. Na época, fazia intercâmbio na Universidade de New Brunswick, graças a uma bolsa.

“De lá vi uma mulher negra, seringueira, fazendo uma campanha colaborativa incrível. De volta ao Brasil, me filiei ao Partido Verde em 2011 por causa dela”, narra. A passagem pelo PV foi relâmpago. Participou de uma única reunião, a de desfiliação coletiva do grupo de Marina.

A ex-senadora dava início, então, ao movimento para criar o seu próprio partido. Zé virou peça-chave nesse processo. Primeiro, coordenando a coleta de assinaturas de apoio à nova legenda em São Paulo e, depois, cuidando da busca nacional de apoio exigido pela Justiça eleitoral para o reconhecimento legal da sigla. O protagonismo nesse momento foi fundamental para aproximação entre ele, Marina e a cúpula da Rede.

“Sou tecnicamente o presidente mais jovem de partido no Brasil. Não significa muita coisa, mas é importante simbolicamente. Marina e eu trabalhamos juntos todo o tempo. Nossa relação não é figurativa”, ressalta.

Embora tenha apenas seis anos de militância política, Zé começou seu engajamento no que chama de movimento estudantil não tradicional e no trabalho social que fazia pela Igreja Católica. “Não participei do movimento estudantil tradicional, mas de um novo tipo, focado na melhoria da universidade onde estudávamos. Na faculdade, entendi o que era administração pública e o quanto o Estado era importante na vida das pessoas. Senti necessidade de entender a política, porque os sacanas a compreendiam muito bem, mas a maioria das pessoas não. A grande maioria dos políticos só pensa na gestão para se reeleger”, afirma.

Solteiro, Zé Gustavo vive na ponte aérea entre São Paulo, São Carlos e Brasília. Temas como a descriminalização das drogas e do aborto e a legalização do casamento gay, que costuma atrair jovens e causaram polêmica na campanha de Marina em 2014, pelas idas e vindas da candidata, não estão entre as prioridades do presidente da Rede.

“A Rede trabalha esses temas sem posicionamentos fechados. Acreditamos que teremos posição sobre esses assuntos no ano que vem. Essa não é, particularmente, a minha pauta prioritária. Meu foco é gestão pública com os mandatos colaborativos. Queremos que as pessoas ocupem a política e se ocupem dela”, explica.
Pré-candidato a deputado

Zé espera fazer parte da bancada de 18 deputados que o partido pretende eleger no próximo ano. Atualmente, a legenda é representada no Congresso por apenas quatro deputados federais e o senador Randolfe Rodrigues (AC).

“Precisamos de mandatos colaborativos, de deputado que olhe para a sociedade, não só para o Congresso, que convide a população a participar dos processos de decisão. Que a relação com as bases não fique restrita à destinação das emendas parlamentares. Defendemos um orçamento participativo para a distribuição das emendas, trabalhar no enraizamento com porta-vozes nas regiões de cada mandato”, defende.

O pré-candidato à Câmara propõe a criação de uma nova figura para o exercício do mandato. “São os chamados codeputados, pessoas que dedicam de três a cinco horas por semana a discutir, de graça, o mandato. Em 2014, 70 pessoas se comprometeram a ser meus codeputados se eu me elegesse.”
Pouco dinheiro, pouco tempo

Até outubro, Zé Gustavo terá de buscar votos para si e para Marina. Segundo ele, o lançamento da pré-candidatura da ex-senadora não deve mudar radicalmente a rotina dela, mas dar mais visibilidade às suas ações.

“Marina está sem mandato. É natural que ela seja menos ouvida do que quem tem mandato. Ela está dizendo o que sempre disse e vai continuar a dizer. Precisamos debater caminhos para 2018. A eleição do ano que vem é fundamental para o Brasil. Temos de unir forças com movimentos da sociedade e partidos políticos que queiram ser protagonistas da questão ética, do combate à corrupção, do comprometimento com direitos sociais, a economia sustentável e Estado eficiente”, afirma.

Mas essa tarefa, admite, não será fácil. Marina terá de superar a falta de recursos – caberá à Rede apenas 0,5% do dinheiro do bilionário fundo eleitoral – e os 12 segundos de horário eleitoral, muito inferiores aos valores e ao tempo que ela tinha nas eleições anteriores. Esses números minguaram com as regras aprovadas pelo Congresso este ano, que favorece os principais partidos. “Nosso grande desafio será envolver as pessoas no processo político, mostrar que não pretendemos a democracia dos políticos, mas a do povo”, acrescenta Zé.

TSE ABSOLVE LULA E BOLSONARO POR PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA

Após absolver Lula, TSE também rejeita multar Bolsonaro por campanha antecipada. Por maioria, a Corte seguiu voto proferido pelo relator, ministro Admar Gonzaga

Lul e Bolsonaro (Imagem: Pragmatismo Político)


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nessa terça-feira (5) rejeitar a representação do Ministério Público Eleitoral (MPE) para multar o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por suposta propaganda eleitoral antecipada.


Pouco antes, o TSE também negou pedido para multar o ex-presidente Luiz Inácio da Silva por suposta propaganda eleitoral antecipada, em outra representação do MPE, desta vez por um vídeo, publicado em junho, que mostra o ex-presidente fazendo exercícios físicos e uma música ao fundo chamada “estou voltando”.

Na representação contra Bolsonaro, o MPE pediu a aplicação de multa pela veiculação de um vídeo na internet no qual o deputado é recepcionado por apoiadores ao chegar em aeroportos, fazendo menção à sua candidatura às eleições presidenciais de 2018.

Por maioria, a Corte seguiu voto proferido pelo relator, ministro Admar Gonzaga. O ministro entendeu que não há ilegalidade na veiculação de um vídeo. Para o ministro, a propaganda eleitoral antecipada estaria caracterizada somente com pedido explícito de voto, fato que não ocorreu nas imagens.

O voto do relator foi acompanhado pelos ministros Tarcísio Veira, Jorge Mussi, Luiz Fux e Napoleão Maia. Gilmar Mendes e Rosa Weber votaram pela aplicação de multa por entenderem que houve a propagada antecipada.

Assista ao vídeo de Lula:
Agência Brasil

SOBRE A DISTOPIA NOSSA DE CADA DIA


João Miranda*, Pragmatismo Político

A nossa época tem sido atravessada por muitos acontecimentos, às vezes de grandes tragédias. Não raro o adjetivo de “histórico” é reivindicado antes de o dia acabar. Num mundo globalizado, a aceleração do processo histórico também é globalizada. Do país das calças bege aos Emirados Árabes Unidos, da terra do Tio Sam à terra do sol nascente, tudo parece acontecer mais rápido.

Se non è vero, è vem trovato que nunca a humanidade viveu transformações tão radicais, tão rápidas e tão complexas como as que vivemos na atualidade. Radicais transformações nas percepções do tempo impactam hoje a nossa vida em todos os sentidos e faz com que sejamos capaz de olhar para uma década atrás e conceber esse pouco tempo quase como um passado remoto.

A historiografia, especialmente a que parte de uma perspectiva teórica de cunho marxista, propõe a tese de que esse processo de aceleramento das transformações do processo sócio histórico inicia-se com a Primeira Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Tem início nesse período e se intensifica no XIX, ao ponto de o XX ser compreendido por Hobsbawm como a ‘Era dos extremos’. Foi um processo de mudança não só na velocidade com que as coisas se transformam, mas também nas percepções do tempo e da história. 

Antes dessas duas revoluções, não se acreditava numa ruptura com o passado. Isto é, as pessoas acreditavam que suas vidas seriam basicamente semelhantes às dos seus antepassados. As revoluções inseriram o coeficiente de mudança na consciência histórica delas.

Paulatinamente, o tempo deixa de ser concebido como estático e o horizonte passa a apontar para um futuro aberto de múltiplas oportunidades. Sapere aude!, brandava Kant em seu manifesto. Ouse saber! Faça história! Tenha coragem de usar o seu próprio entendimento. No umbral da modernidade, atingir a autonomia intelectual era condição sine qua non da possibilidade do indivíduo emancipar-se. Os indivíduos, especialmente os ocidentais, percebiam-se no direito de escolher seu rumo e sentiam estar caminhando para um mundo melhor (a noção de progresso). Para essa concepção de tempo histórico, preponderante no século XIX, o passado está sendo cada vez mais deixado para trás pela locomotiva da história e o presente é considerado um estado de transição para um futuro repleto de possibilidades.

Ainda permanece conosco a percepção de uma aceleração das mudanças, mas, diante da deterioração da vida que sentimos objetiva e subjetivamente no nosso cotidiano e a expectativa ameaçadora de um aquecimento global, será que ainda acreditamos que o mundo está progredindo para um lugar melhor? Será que ainda acreditamos que podemos fazer história? O futuro ainda é compreendido como uma janela aberta de possibilidades?

A concepção social de tempo dominante na contemporaneidade é outra. O futuro não parece mais aberto de possibilidades. Concebe-se que a janela está fechada por ameaças, ou, no mínimo, significantemente reduzida. O presente deixou de ser somente um espaço temporal de transição e se torna amplo, repleto de simultaneidades, no qual o indivíduo sente que o seu papel de transformação perde força. O passado não fica mais para trás. Ele é concebido como algo que não passa e que constantemente inunda o presente.

Portanto, o indivíduo contemporâneo, não só o brasileiro, carrega nos ombros o peso da projeção de um futuro distópico. O que será de fato ninguém pode dizer que sabe. Vive, assim, em total dúvida sobre o amanhã. As séries, produção cultural com maior poder disseminação na atualidade, representam bem essa distopia: são cada vez mais sombrias, quando não apocalípticas, como se vê em “The Walking Dead (AMC)”.

Arrisco dizer que essa distopia tem origem na sensação de se estar de mãos atadas – que, aparentemente, permeia em demasia a sociedade atual. Há muitos outros fatores que levam ao fatalismo. A crescente ideia de que o nosso poder de ação no mundo é ínfimo pode ser um deles. Ou seja, frequentemente o sujeito teme o que virá e no fundo acha que pouco, ou até mesmo nada, pode ser feito para que seja diferente. “O inverno está chegando”, frase da série de “Game of Trones (HBO)”, expressa bem isso.

Uma sociedade despida da crença do seu próprio poder de transformação é uma sociedade melancólica. Para Freud (1917/2006), a melancolia seria um distúrbio na autoestima relacionado a perda de um objeto, sendo que tanto “perda” quanto “objeto” devem ser compreendidos em um sentido amplo. Diferentemente de um estado de luto, quando ocorre o processo normal de retirada da libido do objeto perdido e a seguir seu deslocamento para outro objeto, os melancólicos identificam-se com o objeto que tinha sido perdido e desloca para si próprio críticas que deveriam ser dirigidas ao objeto. Ao mesmo tempo que ocorre essa depreciação do eu, há um processo de supervalorização e idealização do objeto perdido.

Esse estado de melancolia que aparentemente percorre a sociedade é preocupante, porque os indivíduos, mergulhados nesse distúrbio, não se veem na capacidade de transformar a realidade. Depreciam o eu não se percebendo como sujeitos históricos capazes de transformar e, concomitantemente, agigantam o objeto a ser transformado. A incapacidade de ser afetado de outras maneiras, consequentemente, impede-o de vislumbrar um futuro que não seja Black Mirror (Netflix).

Perceba que o modo como o futuro é projetado incide no que acontecerá no presente, porque o que o sujeito sente por tudo o que viveu condiciona o que ele fará no agora, assim como a forma como ele se relaciona com tudo o que ainda não viveu. Diante da aceleração dos acontecimentos e da paralisia originada numa ideia prévia de dúvida em relação ao amanhã, que é entendido como imutável, não raro a sensação que paira no ar é de se estar num trem-bala em alta velocidade vendo a vida passar pela janela numa sucessão de cores e formas, sem saber para aonde se está indo e sem se sentir capaz (melancolia) de mudar a própria situação. Ou seja, o indivíduo na atualidade depara-se com um mundo inteiro por fazer e acredita que, depois de muito trabalho, ainda muito estará por fazer. Imobilizado pela idealização do objeto a ser transformado, restringe-se a autodepreciação.

No entanto, o amanhã não pode ser apenas inverno. Numa sociedade melancólica de corações partidos e ilusões perdidas, precisamos reaprender a imaginar um futuro onde se possa viver e onde se queira viver. A pergunta que paira no ar é: isso ainda é uma possibilidade?

*João Miranda é acadêmico de História na Universidade Estadual de Ponta Grossa, foi colunista do Jornal da Manhã e colaborou para Pragmatismo Político.

Referências
Freud, S. (2006). Luto e melancolia. In: S. Freud, Escritos sobre a psicologia do inconsciente. (L. Hans, trad., Vol. II: 1995-1920, pp. 99-122). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1917)

COMO O ATUAL MODELO DE EDUCAÇÃO TRANSFORMA PESSOAS EM CAPITAL HUMANO

Há um grande interesse das classes dominantes em manter um modelo de educação que tem como objetivo transformar pessoas em capital humano, de modo que será mais fácil, para conseguir seus objetivos, ver o homem como uma ‘lata’ vazia que vão enchendo com seus ‘depósitos’ técnicos



“A velha escola era a escola do estudo livresco, obrigava as pessoas a assimilar uma quantidade de conhecimentos inúteis, supérfluos, mortos, que atulhavam a cabeça e transformavam a jovem geração num exército de funcionários talhados todos pela mesma medida”. Vladimir Lenin

Eu poderia estar contando a história do personagem do conto do Mágico de Oz, ou alguma de ficção científica, mas é de educação que trata este artigo.

Há um grande interesse das classes dominantes em manter a educação em seu modelo tradicional desde a consolidação do capitalismo. Uma educação que tem como objetivo transformar pessoas em capital humano, de modo que “será mais fácil, para conseguir seus objetivos, ver o homem como uma ‘lata’ vazia que vão enchendo com seus ‘depósitos’ técnicos”.[1]

Roberto Leher mostra que essa visão é legitimada por prêmios Nobel (Friedman, Schultz e Becker), por intelectuais coletivos do capital como o Banco Mundial, a OCDE, Fundação Ford, a Open Society Foundation de George Soros etc., e por entidades empresariais. O objetivo é “converter o conhecimento e a formação humana em ‘capital humano’”. [2] Em um mundo em que a tecnologia vem avançando, homens que pensam cada vez menos estão sendo programados para construir máquinas que pensam cada vez mais.

Neste contexto, o ódio a Paulo Freire passa a ter sentido. A sua proposta de educação libertária, que compreende o ser humano em sua totalidade, produtor de uma consciência crítica, acaba se tornando um óbice para esse mercado que comercializa seres humanos. A educação proposta pelo mercado é exatamente aquela que tem o objetivo de transformar o aluno em um objeto, um investimento que irá se adaptar à cadência da produção capitalista. O homem deve ser domesticado, doutrinado, embrutecido. O educando passa a ser um depósito de informações úteis para resolver os problemas técnicos, sendo incapaz de criar: “perde assim seu poder de criar, se faz menos homem, é uma peça”,[3] conclui Paulo Freire.

Educa-se para ser individualista, para cultivar o particular, a autoconservação. Para se resolver a própria vida, ou para se ter uma noção de um eu que não se vê como parte de um todo. A educação passa a servir apenas para o indivíduo internalizar as normas que guiarão a sua vida prática.[4] Tem que estudar para arrumar um emprego! Contudo, para uma educação libertadora, o emprego deveria ser apenas um dos elementos e não o único objetivo da educação.

Mas essa pedagogia encabeçada pelas corporações não se baseia em conceitos arcaicos. Ela criou uma roupagem pós-moderna. Adotando um psicologismo exacerbado e destemperado, a Pedagogia Nova tem como objetivo fazer a criança agir, mas não se preocupa tanto com o que ela está aprendendo. O professor tem sua função enfraquecida, assim como o conhecimento e o intelecto, úteis para a reflexão. A liberdade é dada através de uma experiência imediata. Nesse sistema, o indivíduo fica incapaz de escolher porque não teve a compreensão das necessidades históricas.[5]

Essa educação forma indivíduos, não só para o processo produtivo, mas também para o consumo. Daí o bum de uma cultura infantilizada comercializada no cinema e nas redes sociais, onde pais e filhos são consumidores com o mesmo nível mental de reflexão.

O que é dado hoje na escola pública, principalmente na educação básica, “está limitado a livros didáticos e, cada vez mais, a apostilas elaboradas por corporações que, no lugar de conhecimentos científicos, veicula os referidos descritores de competências” aos interesses empresariais. Os diretores passam a ser gestores que adotam o léxico da administração: metas, eficiência, qualidade total etc. “As escolas e os professores tornaram-se reféns de índices que esvaziam o sentido público da escola, reduzem o que é dado a pensar (competências em português e matemática, desconsiderando as demais dimensões da formação humana)”, coloca Leher.[6]
A consciência ingênua

O interesse de menosprezar Paulo Freire pelo projeto conservador “Escola Sem Partido” faz parte de um plano de poder que vem se desenrolando desde o período militar. Menosprezo que os governos neoliberais do PSDB e do PT ajudaram a revitalizar. O tipo de cultura que sempre esteve vigente é a voltada para a massificação do ser humano. Dessa forma, para se construir produtores e consumidores em potencial desse tipo de cultura é necessário apenas uma consciência ingênua. A existência de ilhas de criticidade acaba sendo importante nesse mundo, mas revela claramente a concentração do saber em poucas mãos.

Paulo Freire destaca que sem o objetivo de desenvolver uma consciência crítica nas pessoas pode até haver um desenvolvimento industrial e tecnológico, mas a consciência torna-se fanática. Cria-se um homem massificado. O autor, partindo desse raciocínio, enumera o que vem a ser uma consciência ingênua e, sem dúvida, exatamente um tipo de ser desejado pela direita conservadora idealizada por Olavo de Carvalho, Bolsonaro e MBL.

Esse ser apoia-se em “um simplismo, na interpretação dos problemas, isto é, encara um desafio de maneira simplista”. Conclusões apressadas e superficiais. Está mais apto ao fanatismo e a “considerar que o passado foi melhor”. Subestima o homem simples. “É impermeável à investigação. Satisfaz-se com as experiências. Toda concepção científica para ele é um jogo de palavras. Suas explicações são mágicas.” Esse último ponto explica porque muitos dos seguidores de Jair Bolsonaro o chamam de mito.

O detentor de uma consciência ingênua “pretende ganhar a discussão com argumentações frágeis. É polêmico, não pretende esclarecer. Sua discussão é feita mais de emocionalidades que de criticidades; não procura a verdade; trata de impô-la e procurar meios históricos para convencer com suas ideias. É curioso ver como os ouvintes se deixam levar pela manha, pelos gestos e pelo palavreado. Trata de brigar mais, para ganhar mais”.[7] Esses elementos apontados por Paulo Freire é um prato cheio para que aqueles que almejam formar uma massa consumidora, de uma cultura de baixa reflexão e de reprodução fácil, o abominem.

É possível encontrarmos hoje um professor que saiba repetir exatamente os aspectos de uma educação crítica formulada por Paulo Freire, mas que em sala de aula é apenas um depositor. E (o que é mais bizarro) um professor que saiba de tudo isso e seja fiel à extrema direita. Prova de que as propostas de Freire nunca conseguiram ganhar espaço aqui no Brasil a não ser em termos ideológicos. A sua praticidade seria uma afronta aos interesses dominantes, um combustível para a democratização das lutas sociais, o que pode pôr em risco a estrutura tradicional.
Conclusão

A educação escolar está submetida a propósitos intencionais, a uma doutrinação ideológica que está interessada em formar “homens latas” úteis para a reprodução das relações de produção capitalista. Para romper com essa doutrinação, é preciso que o professor conceba a didática como um processo de ensino embasado em uma teoria da educação crítica capaz de formular diretrizes orientadoras da sua atividade.

Também é imprescindível um diálogo da educação com os movimentos sociais empenhados “na produção autônoma de conhecimento original, capaz de criticar os fundamentos da vida capitalista e apontar alternativas para além da sociedade do capital”.[8] Somente assim os trabalhadores terão acesso a uma educação que abrange o conjunto da existência e das potencialidades humanas: científica, artística, tecnológica, histórico-cultural, filosófica etc. e não atulhar um conhecimento inútil para a sua emancipação.

Raphael Silva Fagundes*, Diplomatique

*Raphael Silva Fagundes é doutorando do Programa de Pós-Graduação em História Política da Uerj e professor da rede municipal do Rio de Janeiro e de Itaguaí.

[1] Paulo Freire. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p.23.

[2] Roberto Leher. Organização, estratégia política e o Plano Nacional de Educação, 2014.

[3] Paulo Freire, op. cit., p.38.

[4] Zygmunt Bauman. Em busca da política. Rio de Janeiro: Zahar, 1999, p.79.

[5] Regina Lopes. Concepções pedagógicas e emancipação humana: um estudo crítico. Selma Garrido Pimenta (org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. 5ed. São Paulo: Cortez, 2007, p.78.

[6] Roberto Leher, op. cit., p.4.

[7] Paulo Freire, op. cit., p.40.

[8] Roberto Leher, op. cit., 20.

BRASILEIRO PRECISARÁ TRABALHAR DEZ ANOS A MAIS PARA SE APOSENTAR



Sem discussão prévia com a sociedade, o governo Michel Temer quer impor ao Congresso uma reforma na legislação previdenciária que protege alguns segmentos da população, impõe sacrifícios maiores a outros e, na média, obrigará os brasileiros a trabalhar aproximadamente dez anos a mais para ter direito à aposentadoria.

Uma das instituições mais empenhadas em levar a debate público o tema – tratado na Proposta de Emenda Constitucional 287 (PEC 287/2016) – é a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB). “Não pode haver tratamento diferenciado”, afirma o presidente da entidade, Virgílio Arraes.

Ele defende que eventuais mudanças na Previdência, além de discutidas de maneira ampla com a população, sejam para todos. E acrescenta que é preciso colocar na mesa todas as contas de forma transparente. “Ninguém debate com a mesma ênfase o gasto do governo com juros da dívida pública, por exemplo. Temos que tratar as finanças governamentais de modo global, não só as contas da Previdência”, indica.

Hoje, o trabalhador do setor privado pode se aposentar somente a partir dos 55 anos de idade, desde que cumpra diversos outros pré-requisitos. Prevalecendo os critérios desejados pelo governo Temer, a idade mínima para aposentadoria passará a 65 anos. Para a mulher, a idade aumentará de 53 para 62 anos.

O cronograma prevê o aumento gradativo da idade mínima até 2042. Para os servidores públicos, a idade mínima subirá de 60 para 65 anos, no caso dos homens, e de 55 para 62, no caso das mulheres. A idade mínima para os professores do setor privado subirá para 60 anos. Para os policiais, a regra será permanente: 55 anos.
Menos direitos para os trabalhadores, menos votos para os políticos

O governo alega que, sem a reforma, a Previdência terá déficit de R$ 202,2 bilhões no próximo ano. Em 2017, segundo o Ministério da Fazenda, a conta deve ficar negativa em R$ 188,8 bilhões. Diversos técnicos e instituições da área previdenciária contestam, no entanto, esses números e dizem que o governo não têm agido nem com transparência nem com boa-fé ao discutir a questão.

Um exemplo foi a recente campanha publicitária veiculada no rádio e na televisão, na qual a administração federal apontava os servidores públicos como privilegiados que impõem à nação custos insuportáveis em razão de benefícios previdenciários injustificáveis. A campanha foi suspensa pela Justiça para evitar “efeitos irreversíveis à honra e à dignidade daqueles diretamente atingidos pela mensagem nela contida”, conforme as palavras da juíza Rosimayre Gonçalves de Carvalho, da 14a Vara Federal de Brasília.

O presidente da ADUnB, Virgílio Arraes, enfatiza que a reforma pode colocar a comunidade universitária contra os parlamentares na eleição do próximo ano, caso aprovem a proposta do governo. “Se aprovarem a reforma desta forma, os trabalhadores vão perder direitos e os políticos, votos”, resume o professor. Arraes admite que a Previdência dos servidores públicos é deficitária, se considerada apenas a sua contribuição de 11% mensal, mas não se pode ignorar a parte patronal, o governo, como tem sido feita na iniciativa privada ao menos – 8% do trabalhador e 12% do empregador. Além disso, ele defende que o debate seja feito com dados reais e consistentes, com a inclusão dos impostos destinados à seguridade social e sem nenhum tipo de manobra como a utilização da DRU (desvinculação das receitas da União). “O governo não conseguiu acertar a projeção do déficit para este ano,como vamos ter segurança numa projeção para dez ou 20 anos?”, questiona.

Especialistas da área previdenciária dizem que, entre outros erros, os números oficiais colocam na Previdência despesas que deveriam estar na conta do Tesouro Nacional. É o caso, por exemplo, dos benefícios de prestação continuada pagos apessoas idosas que não contribuíram para a Previdência e por isso não têm direito à aposentadoria. A Previdência perde também com a desvinculação de receitas orçamentárias (DRU), como já citado, que permite ao Tesouro se apropriar de 20% da arrecadação previdenciária.

Comissão parlamentar de inquérito do Senado Federal, realizada neste ano a pedido do senador Paulo Paim (PT-RS), concluiu que as contas da Previdência estão equilibradas com inconsistência nos dados apresentados pelo Poder Executivo. De acordo com o relatório final da CPI, não haveria necessidade de reforma se o governo cobrasse das empresas privadas os R$ 450 bilhões que elas devem em contribuições previdenciárias

Associação dos Docentes da 
UnB (ADUnB) 
e Congresso em Foco

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

PASSAGEM DA MARIA FUMAÇA DE NATAL REÚNE CENTENAS DE PESSOAS EM CURITIBA

Com iluminação especial, passagem de locomotiva tem reunido muitas famílias
Por Banda B


Com toda uma decoração preparada para o Natal, a passagem da Maria Fumaça Mallet por Curitiba tem mobilizado centenas de pessoas. No bairro Boa Vista, por exemplo, moradores da Rua Flávio Dallegrave se reuniram desde cedo para aguardar a passagem na noite desta segunda-feira (4).

tamara dos Santos é moradora do bairro Santa Cândida, levou a filha de 4 anos até o local e garante que não se decepcionou. “A gente saiu correndo, mas valia a pena, é muito legal”, disse.

Entre os acompanhantes, são várias crianças e algumas delas já esperam ver em outro lugar. “É muito bonito, eu adorei. Agora quero ver em Pinhais”, comentou Valentina, de seis anos.
A Maria Fumaça Mallet 204, única do modelo na América do Sul, faz parte das comemorações de Natal da empresa Rumo, maior concessionária ferroviária do país. Construída nos Estados Unidos em 1950, ela faz parte do atual acervo da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF).

Nesta quarta-feira (6), a Rumo deve divulgar o novo cronograma, já que o roteiro foi ampliado. Nesta terça-feira, porém, a locomotiva irá sair da Vila Oficinas com destino a Pinhais.

Confira o roteiro:

5 de Dezembro

– Sede da Rumo, Vila Oficinas – saída às 19h*
– Vila Betel
– Cajuru
– Capão da Imbuia
– Estância Pinhais (Pinhais)
– Centro (Pinhais)
– Estância Pinhais (Pinhais)
– Capão da Imbuia
– Cajuru
– Vila Betel
– Sede da Rumo, Vila Oficinas – retorno às 20h30*
Rumo – Piraquara

7 de Dezembro

– Sede da Rumo, Vila Oficinas – saída no final do dia
– Vila Betel
– Cajuru
– Capão da Imbuia
– Estância Pinhais (Pinhais)
– Centro (Pinhais)
– Jardim Amélia (Pinhais)
– Jardim Santa Mônica (Piraquara)
– Jardim Bela Vista (Piraquara)
– Vila Ipanema (Piraquara)
– Centro (Piraquara)
– Retorno Vila Oficinas.

Bem Paraná

FAMÍLIAS DE ÁREAS DE RISCO NO PILARZINHO RECEBEM NOVAS CASAS NO CACHOEIRA

Esse Natal será diferente para 40 famílias que vivem na Vila Nori, uma ocupação irregular no bairro Pilarzinho. 

Prefeito Rafael Greca, José Lupion Neto presidente da Cohab, entrega a casa para Marines Ferrei Gonçalves que planta uma flor no jardim enfrente.

Na tarde desta terça-feira (05/12), elas receberam do prefeito Rafael Greca suas novas casas, construídas no empreendimento Moradias Maringá 1, no Cachoeira. Os moradores que conviviam com enchentes e riscos de deslizamento passarão a morar em casas seguras e regularizadas junto ao município.

“Essa é uma das obras que encontramos abandonadas quando assumimos a Prefeitura. Estive aqui e fiquei horrorizado com a situação de abandono. Aportamos dinheiro do município para concluir o empreendimento, porque não queremos deixar nenhuma obra inacabada”, ressaltou o prefeito.

O Moradias Maringá 1 vai contar ao todo com 156 famílias transferidas de situação de risco. São 94 casas térreas e 62 sobrados que já deveriam ter sido todos entregues, porém, as obras iniciadas em 2009, sofreram duas interrupções.

A primeira parada foi em 2011, e a outra em 2015, por conta do abandono das empresas que deveriam fazer os serviços. Após a retomada da construção em março deste ano, já foram entregues 61 unidades. As 95 restantes serão liberadas no primeiro semestre de 2018.


Retomada

Para o reinício da obra foram contratados R$ 8,7 milhões, recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Caixa Econômica, com contrapartida do município. “Além da construção das moradias, este recurso será utilizado para obras de urbanização da Vila Nori. Após a retirada das famílias, o local receberá infraestrutura, com abertura de ruas e recuperação ambiental das áreas degradadas”, explica o presidente da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), José Lupion Neto.

Na ocasião da entrega das moradias, as famílias assinaram os contratos de cessão de uso dos domicílios. As mudanças acontecem no decorrer desta e também na próxima semana, com o apoio e acompanhamento das equipes do serviço social da Cohab.

Assim que o caminhão parte com a mudança, as casas desocupadas são demolidas para evitar que ocorram novas ocupações irregulares que atrapalhariam as obras de infraestrutura na Vila Nori.

Casa adaptada

Entre as 40 casas entregues nesta etapa, duas são adaptadas para pessoas com cadeira de rodas. O aposentado Dacílio Pires passou anos enfrentando muita dificuldade de locomoção nos morros e becos da Vila Nori. Ele não consegue se locomover sozinho e as dificuldades impostas pelo local tornavam árdua a tarefa dos filhos em tirá-lo de casa. Uma moradia precária, com o assoalho caindo e degraus na porta de entrada.

“Para sair com ele é sempre uma batalha, pois não é fácil empurrar cadeira de rodas neste ambiente. Graças a Deus isso tudo vai ficar no passado e na casa nova a tranquilidade vai ser maior”, conta a filha, Silvia do Rocio Pires.

A casa adaptada tem rampa de acesso, portas mais largas e barras de apoio no banheiro. Tudo para garantir a inclusão das pessoas com deficiência.
  prefeito Rafael Greca, José Lupion Neto da presidente da Cohab, entrega a casa para Luzia Pereira dos Santos, Luiz Carlos da Veiga e Arlete Abedal. 


Vida Nova

Tainara da Silva Maia, 22 anos, é moradora da Vila Nori desde que nasceu. Muitas histórias ficarão na lembrança, nem todas felizes. Sua casa de madeira fica colada a um córrego e ao lado do morro. Bastava uma chuva qualquer para impedir que saísse de casa.

“Como aqui é uma ladeira, a água desce e alaga tudo. Perdi três entrevistas de emprego por não ter condições de sair de casa. Como chegaria na entrevista, com a água na altura do joelho? Na casa nova não vai ter nada disso. É o dia mais feliz da minha vida”, comemora ela, que vai morar próxima às duas irmãs.

Participaram da cerimônia de entrega das casas o vereador Colpani e a administradora regional do Boa Vista, Janaína Lopes.

Fotos: Luiz Costa/SMCS

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

TEU CORPO SERÁ O MEU ALTAR






por Eberth Vêncio, Revista Bula -

Rio de janeiro, madrugada de 1 de janeiro de 1895. Devoro-te. A rigor, te amo. Nunca te vi antes, nunca te vi mais linda, mesmo assim, te amo. O rigor mortis deixa o teu corpo digno de figurar entre as beldades do museu de cera de Madame Tussauds, em Marylebone Road, Londres. Quisera expor a tua estátua num pedestal de prata, nos recônditos do meu lar; porém, pobre de mim, resido num daqueles cortiços de que falou o escritor Aluísio Azevedo, meu confrade; sou, portanto, digno do zarcão.

Adorar-te-ei até o fim dos meus dias. É sob segredo que te venero. És jovial e bela como uma festa primaveril. És suave como uma gota de orvalho sobre a tez da pétala branca. Em boa hora, espocam os fogos na baía. O povo bebe e se diverte. Aqui, na silente alcova de uma funerária, amo-te com fervor indescritível. Meu corpo em brasa, literalmente, derrete-se sobre o teu. Gozo de certos desvios insólitos, execráveis aos olhos da humanidade, eu suponho. Amo e sofro, calado. Desventurado é o que sou. Vivo a aventura pecaminosa de amar: eu e você, minha rosa albina.

Arrasado, recosto o dorso nu contra a parede, deixo-me deslizar até o assoalho, exausto, zonzo, quase desfalecido, triste como uma lágrima dentre tantas que já foram derramadas pelos teus parentes em causa tua. És tão bela inerte e nua. Parece injusto quando Deus, meu Pai Venerável, ceifa da Terra criaturinhas imberbes como tu. Também chorarei quando partires deste recinto insalubre aos primeiros raios do sol. Sofro ao pensar que em breve serás entregue às gulodices da terra. Sinto-me também aterrado, juro. Serei um verme?

Tua história, minha glória, que mais parecerá inglória aos olhos de quem nunca amou nessa vida, tudo isso é um drama insolúvel. Só sei que te amo. Nunca te vi antes, nunca te vi mais linda, mesmo assim, te amo. Que os hipócritas, os radicais religiosos não me ouçam, muito menos, me acusem de heresia: penso que te conheço de outras vivências, de outras encarnações. Tua carne anda mais rija a cada minuto. É o tempo rindo, ruindo e se interpondo entre nós de maneira cruel.

Antes pudesse gritar com os braços estendidos para o céu que te quero mais do que a mim mesmo. Não. Não me sinto imundo. O mundo, sim, parece sujo demais desde que o Criador expulsou, por motivos pessoais, diga-se de passagem, Eva e Adão do Jardim do Éden. Sirvo-me dos vapores do éter.

Entorpeço-me por ti. Um desejo profundo me preenche. Amo com enlevo e graça. Osculo, a partir dos artelhos delicados, o teu corpo infinito, alvo, gélido como a neve do Kilimanjaro. Deixo-me espetar pelos teus mamilos róseos, flechinhas pontiagudas que por muito pouco não me ferem de morte. “Qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor vale amar”, sei que um dia alguém haverá de cantar versos bonitos assim. Sou um poeta, sabias?

Haverei de escrever em tributo a ti sonetos parnasianos com uma métrica impecável. Impossível, contudo, mensurar o quanto tenho apreço por ti.
Preparo sobre a bandeja uma dose a mais de formalina. Urge concluir a obscura missão de preparar o teu cadáver para o funeral. Venero-te tanto quanto podem suportar de dor as minhas entranhas. É estranho: tens as feições de uma santa. Creia, hoje, orarei por ti. Teu corpo será o meu altar. A despeito de nunca ter visto as tuas pernas de loiça desfilando pelas ladeiras pedregosas do Rio.

Bonequinha, minha deusa cândida, eu te adoro e te desejo mais que tudo. Mergulho na tua história comovente. Ontem cedo, ao te despedires do teu noivo — agora, o meu algoz anônimo — perdeste o equilíbrio, caíste de um bonde em movimento, que seguia para Mangaratiba, bateste a cabecinha na guia, apagando para sempre.

Acendeste em mim o pavio da paixão inescrupulosa, minha rosa. Pareço dissimulado, sei. Devo ser um dissimulado, não sei. O mundo não apenas fomenta em mim tamanha dissimulação, como não compreenderia, não aceitaria, não aprovaria essa paixão tórrida, súbita, infinita que uniu os nossos corpos e as nossas almas; a tua, desgarrada da carne, isso é líquido e certo, devidamente amparada por Jesus e Maria na Mansão dos Mortos; a minha, entregue ao pesadelo de continuar vivo e desamparado.

Contudo, viverei para te amar. Prometo. Teu corpo exala o aroma das alfazemas. Sim. Cuidei bem de ti. Perfumei-te. Banhei-te com todo cuidado. Lavei os coágulos que grudavam os teus cabelos amarelos como o milho. Devorei-te, a princípio, com os olhos, pelas beiradas, bem o sabes. Penteei-te com delicadeza. Adornei-te com esmero. Foi muita sorte cruzar por ti nesta noite, magistral criatura. O Arquiteto do Universo, o meu Senhor Justiceiro, é testemunha do quanto zelei de ti, com a devoção de quem vela um jardim florido. Antes eu tivesse também morrido, para juntos brotarmos nos campos etéreos do Paraíso. Vai com Deus. Vai com os teus. Com amor, para sempre, Olavo, adeus.
MAGAZINE BRASIL

TURISTAS VÃO MOVIMENTAR R$ 130 MILHÕES NO COMÉRCIO DE CURITIBA

Os turistas devem movimentar cerca de R$ 130 milhões durante as festividades de Natal no comércio em Curitiba, segundo estimativa do Instituto Municipal de Turismo de Curitiba.

De acordo com o prefeito Rafael Greca, o movimento reflete as ações do município para posicionar a cidade como destino turístico e a ampla programação organizada de Natal.

“Estamos resgatando o protagonismo de Curitiba ao decorarmos esplendidamente a cidade e oferecermos uma programação recheada de atrações especiais, para estimular o espírito natalino e as festas de fim de ano na cidade”, disse Greca.

Vendas motivadas 


O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Gláucio Geara, destacou o clima de Natal em Curitiba, que tem motivado comerciantes, lojistas e shoppings a decorarem os estabelecimentos. “A Prefeitura de Curitiba teve a sensibilidade de resgatar esta tradição de Natal”, avaliou Geara.

A pesquisa ACP/Datacenso sobre as perspectivas do comércio curitibano com relação às vendas motivadas pelo Natal de 2017 indicou crescimento nominal de 4%, em comparação com período igual de 2016. O crescimento real de vendas será de 1,5%, descontada a inflação de 2,53% acumulada nos últimos 12 meses.

Comércios locais 

 A programação natalina também se estende para além do centro da cidade o que, na opinião de Geara, foi uma decisão acertada. “Curitiba hoje não tem uma concentração de compras somente no centro, os novos eixos de comércio se deslocaram para diversos bairros populosos, fazendo com que os moradores façam suas compras nos comércios locais”, analisou.

A ACP já divulgou o horário especial de Natal, que começou no dia 1º de dezembro. Entre segunda e sexta-feira o horário comercial vai se estender até 22h, aos sábados até 21h e domingos, até 19h. No dia 24 de dezembro vai funcionar entre 12h e 18h.

Boas expectativas 

 No coração da cidade, a Rua XV de Novembro, os comerciantes comemoram a retomada da festa de Natal. A gerente da Casa das Canetas, Eliane Pereira da Luz, salientou que no mês de novembro o fluxo de pessoas já aumentou cerca de 50% em relação ao mesmo mês do ano anterior. “Acho que a decoração de Natal é um atrativo, algo diferente”, comentou.
 
Eliane trabalha há 23 anos no local e lembrou que a presença de turistas é muito comum na região nesta época do ano. “Estávamos ouvindo reclamações das pessoas nos últimos anos, dizendo que estavam decepcionados com a falta de uma decoração”, contou. Outro aspecto positivo é a atração de clientes no fim de semana.

Uma das lojas mais antigas da Rua XV, a Imperial Tecidos está lá desde 1932. O proprietário, Morvan Tacla, lembrou que muitas pessoas de fora da cidade visitam o Centro.

Tacla afirma que a decoração tem atraído curitibanos e turistas, que param para tirar fotos em frente a árvore de flores, a Árvore da Vida. “Está completamente diferente dos anos anteriores”, comentou sorridente.

AGREDIDA MAIS UMA VEZ PELO EX-NAMORADO, JOVEM PUBLICADA DESABAFA




Uma jovem de apenas 15 anos publicou um desabafo nas redes sociais após sofrer mais uma agressão do ex-namorado em Praia Grande (SP). Ela afirma que o rapaz, que tem 21 anos, não aceita o fim do namoro.

A adolescente relata que o ex-namorada a agrediu utilizando um guarda-chuva.

“Eu mandei o texto pois não tinha mais jeito, de forma nenhuma, nem de ir a polícia, nem de conversar com ele ou a família dele. Entra por um ouvido e sai pelo outro. Queria que ele e a família vissem, e também queria divulgar para ajudar outras pessoas que passam pela mesma coisa e deixar o povo alerta sobre o que se passa”, contou a jovem.

A mãe da menina explica que os dois moram na mesma rua e há um ano sua filha resolveu terminar o relacionamento.

Desde o término do namoro, a mãe conta que o jovem persegue a menina e já disse que não vai sossegar enquanto ela não voltar para ele.

“Ela vem do curso de ônibus e, quando chega no ponto, ele está esperando por ela. Nesta semana, ele puxou a mochila dela e bateu com um guarda-chuva”, conta a mãe.

Ainda segundo a mãe, há um mês o rapaz invadiu sua casa para bater na adolescente e foi impedido pelo seu marido.

“Ele derrubou o portão da minha casa. Sorte que o meu marido estava lá”, explica. A menina diz que o rapaz tenta se aproveitar de momentos em que ela está sozinha em casa para fazer ameaças. A adolescente tem apenas uma irmã mais velha que mora em São Paulo.

A família afirma que, por consideração, já tentou falar com os pais do menino, mas nada adiantou. Agora, eles esperam uma posição das autoridades.

“Registramos um boletim de ocorrência na delegacia na última sexta-feira e eles pediram para voltarmos em 10 dias na Delegacia da Mulher. Muita coisa pode acontecer em dez dias. Todas as vezes que eu liguei para o 190 pedindo socorro, ninguém apareceu. Já me disseram até que não encontraram o meu endereço. Tenho medo que o pior aconteça”, conta a mãe.

Leia a íntegra do desabafo:

“Namorei com um menino durante 1 ano e alguns meses. Ao final do namoro, ele não estava se conformando. Após isso, começou a me seguir para todos os lados. Escola, curso, em qualquer lugar estava lá me xingando de coisas horríveis. Minha família já tentou falar com a dele, mas não adianta. Entra por um ouvido, sai pelo outro. Ele já chegou a invadir a minha casa e me bater.

Esses dias fui fazer o BO na Delegacia. Fiz tudo. Passei meus dados e os dele também. Mas falaram pra mim recorrer sobre o caso daqui a 10 dias na delegacia da mulher. Até aí, tudo bem. Só que hoje fui novamente atacada por ele com um guarda-chuva. Me deixou uma marca. Pessoas viram ele me puxando com muita força, pela mochila. Gritaram pra ele ir embora. Ele ainda afrontou todos igual um louco.

Cheguei em casa, liguei pra polícia, relatei o que aconteceu e disseram que iam enviar uma viatura até aqui em casa, para irmos na casa dele e em seguida irmos todos para a delegacia. Esperei, esperei e nada. Minha mãe ligou pra eles novamente, fez a mesma denúncia, e eles alegaram que ‘era a lei, que não podiam fazer nada’ e desligaram na cara da minha mãe. Quando mais precisamos, não temos ajuda.”

CHARGE QUE BOLSONARO TENTOU CENSURAR VAI CONTINUAR NO AR

Jair Bolsonaro perde ação contra jornal que publicou charge que o desagradou. O deputado federal e pré-candidato à Presidência pedia uma indenização no valor de R$ 30 mil

Charge publicada pelo Jornal ‘O Dia’ que rendeu processo de Jair Bolsonaro


Ação Popular



O deputado federal e pré-candidato a presidente da República pelo PSC, Jair Bolsonaro (RJ) perdeu ação indenizatória, por danos morais, ajuizada contra o jornal “O Dia” (RJ), que publicou uma charge de que ele não gostou.

O parlamentar já havia sido derrotado em primeira instância, mas recorreu da sentença ao Tribunal de Justiça daquele Estado.

Nesta terça-feira (28), A 17ª Câmara Cível do TJ-RJ confirmou a sentença de primeira instância, que condenou o parlamentar ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios.

Bolsonaro alegou na justiça que a charge publicada pelo jornal no dia 13 de junho de 2016, associando-o ao atentado contra o público LGBT, ocorrido em uma boate de Orlando (EUA), ofendeu a sua imagem e excedeu a liberdade de expressão que é assegurada pela Constituição Federal.

Pelo “dano moral” que o jornal teria causado à sua imagem, ele pediu uma indenização no valor de R$ 30 mil.

De acordo com a relatora do processo, desembargadora Márcia Alvarenga, “a honra do pleiteador não foi violada porque, na sua perspectiva individual, a associação de sua imagem ao chamado crítico sobre suas ideias contrárias à diversidade de gênero não afeta, de modo relevante, de maneira a prevalecer sobre a liberdade artística e de expressão, a vida em sociedade e as suas relações sociais e comunitárias”.

Bolsonaro deverá filiar ao PEN (Partido Ecológico Nacional) até março do próximo ano, desde que o nome seja trocado para “Patriotas”.

O seu “ponta de lança” em Pernambuco será o empresário Sílvio Nascimento, presidente regional do PEN, que substituiu o vereador recifense David Muniz.