sábado, 24 de setembro de 2016

DIZ QUE DILMA IMPEACHEMENT PORQUE REJEITOU PROJETO NEOLIBERAL

Michel Temer assume que golpe contra Dilma Rousseff foi articulado porque ela não aceitou projeto neoliberal

Michel Temer (reprodução)


Inacio Vieira, The Intercept

O presidente Michel Temer deixou escapar um “segredo” em discurso para empresários e investidoresnos EUA: o impeachment de Dilma Rousseff ocorreu para implementar um plano de governo radicalmente diferente do que foi votado nas urnas em 2014, quando o PT ganhou a presidência pela quarta vez, e não por irregularidades praticadas pela ex-presidente.

Na sede da Sociedade Americana/Conselho das Américas (AS/COA), em Nova York, nesta quarta-feira, dia 21, Temer disse que ele e seu partido começaram a articular o afastamento de Rousseff em consequência direta da não aceitação do programa neoliberal do PMDB pela ex-presidente.



“E há muitíssimos meses atrás, eu ainda vice-presidente, lançamos um documento chamado ‘Uma Ponte Para o Futuro’, porque nós verificávamos que seria impossível o governo continuar naquele rumo. E até sugerimos ao governo que adotasse as teses que nós apontávamos naquele documento chamado ‘Ponte para o futuro’. E, como isso não deu certo, não houve adoção, instaurou-se um processo que culminou agora com a minha efetivação como presidência da República.”

O “Ponte para o futuro” prescreve a desvinculação dos recursos da saúde e da educação, desindexação dos benefícios e do salário mínimo, mudança de idade para a aposentadoria, parcerias com o setor privado e abertura comercial. Essas ideias estavam claramente refletidas na fala de Temer na AS/COA, que visava dar seguimento à incansável empreitada de privatizações e facilitação da entrada do capital estrangeiro no país, listando as vantagens e garantias que seu governo planeja implementar para assegurar o lucro dos membros da plateia, que o ouviam (não tão atentamente) enquanto desfrutavam de suas refeições.

Marcadas pelos já conhecidos eufemismos neoliberais para o que poderia simplesmente chamar de venda do patrimônio nacional, as garantias listadas pelo presidente incluíram a “universalização do mercado brasileiro”, o “restabelecimento da confiança”, uma tal “estabilidade política extraordinária”, parcerias entre os setores público e privado e o avanço de reformas “fundamentais” nas áreas trabalhista, previdenciária e de gastos do governo. “Venho aqui convidá-los a participar dessa nova fase de crescimento do país,” concluiu em tom de leilão.

Os dois grupos são compostos por representantes de corporações multinacionais e membros do estabelecimento de política exterior dos EUA em América Latina. Foram fundados pelo industrialista americano David Rockefeller e têm John Negroponte como presidente emérito – um político neoconservador fundamental para a guerra suja da CIA em Honduras e para a invasão do Iraque em 2003. Em seu site, o Conselho das Américas se define como uma “organização internacional cujos membros compartilham um compromisso comum com o desenvolvimento econômico e social, mercados abertos, estado democrático de direito e democracia por todo o hemisfério ocidental“.

Essa é apenas mais uma singela confirmação de que o impeachment de Dilma não se deu por conta das supostas “pedaladas fiscais“, como quis fazer crer a facção que agora ocupa o executivo federal.Não foi pela família brasileira, não foi por Deus, não foi contra a corrupção. Foi contra o trabalhador e em favor do empresariado. Foi por impunidade, lucro e poder.

''VOMITEI AO SENTIR CHEIRO DE POBRE'', DIZ LÍDER DAS PESQUISAS PARA PREFEITO EM CURITIBA

Apoiado pelo PSDB e líder nas pesquisas eleitorais para a prefeitura de Curitiba, Rafael Greca diz que já 'vomitou ao sentir cheiro de pobre'

Rafael Greca


Durante uma sabatina realizada nesta quinta-feira, na PUC do Paraná, o candidato à prefeitura de Curitiba Rafael Greca (PMN) disparou uma frase polêmica.

Perguntado sobre o que fará, caso eleito, em relação ao crescimento do número de moradores de rua na cidade, Greca mencionou o Papa Francisco, sugeriu a criação de albergues com serviços essenciais e citou sua passagem como membro assistencial da Casa dos Pobres da Igreja Católica.

Em certo momento, ao relembrar um “causo”, disse: “Eu nunca cuidei dos pobres, eu não sou São Francisco de Assis. Até porque a primeira vez que tentei carregar um pobre e pôr dentro do meu carro eu vomitei por causa do cheiro” (vídeo abaixo).

O evento na PUC foi promovido pelo curso de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes (ECA), em parceria com a Escola de Educação e Humanidades (EEH) e a Escola de Direito (ED).

Na última pesquisa Ibope, Greca aparecia com 45% das intenções de voto contra 16% do prefeito Gustavo Fruet (PDT), candidato à reeleição.
Desculpas

Após a repercussão negativa da declaração, Rafael Greca divulgou uma nota em que pede desculpas pela “falta de clareza em seu discurso” durante a sabatina.

“Peço perdão pelas minhas palavras. Não tive a capacidade de explicar a dificuldade que vivi ao tentar realizar o trabalho de resgate social na minha juventude. Mais uma vez, descontextualizam o que falo para tentar enganar as pessoas”, afirmou.

VÍDEOS:
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OPOSIÇÃO TENTA MANIPULAR MOSTRANDO UMA PARTE DA ENTREVISTA.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

JORNAL GAZETA DO SANTA CÂNDIDA: EUA retiram do mercado sabonetes antibacterianos

JORNAL GAZETA DO SANTA CÂNDIDA: EUA retiram do mercado sabonetes antibacterianos: As propagandas de sabonetes antibacterianos nos lembram que o mundo está cheio de germes e há sujeira em cada canto, mas esses produtos pod...

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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Ex-interlocutor de Sergio Moro admite que “não é justo o que estão fazendo”

Professor de direito penal da UERJ citado em mais de 100 acórdãos no STF, ex-interlocutor de Sergio Moro afirma que a Lava Jato vive deslumbramento: “Acham que são os salvadores da pátria. É uma visão ingênua. Aí, os fins justificam os meios”. Acadêmico explica ainda por que rompeu com Moro e quando o juiz perdeu a imparcialidade

Sergio Moro (Dida Sampaio/Agência Estado)


“Às vezes, Sergio Moro passa uma imagem de severíssimo, mas os empresários estão presos em suas casas, suas mansões. Brinco dizendo que talvez estejam com tornozeleiras eletrônicas douradas, cravejadas de diamantes”

De consultor informal da Lava Jato a atroz crítico da operação. A conduta adotada por um dos principais juristas da área processual do Brasil, Afrânio Silva Jardim, de 66 anos, demonstra o tamanho da decepção de parte do meio acadêmico com os últimos passos da principal “ação anticorrupção” da história do país.

Há pouco mais de dois anos, Jardim começou a trocar impressões com o juiz Sergio Moro, o responsável pela operação na primeira instância. Apoiava seus atos. Elogiava a importância das apurações. Mas as últimas ações da força-tarefa fizeram com que ele rompesse com o magistrado e se tornasse um dos principais críticos dos trabalhos que estão sendo conduzidos em Curitiba.

Não porque Jardim seja contrário ao combate à corrupção, mas por entender que boa parte do que tem sido feito não respeita as normas. Cita, por exemplo, a condução coercitiva de investigados, a prisão domiciliar de grandes empresários, a divulgação da gravação envolvendo os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, assim como a última denúncia apresentada contra o líder petista nesta semana. “Não é justo o que estão fazendo”, sintetizou o especialista. As informações são do EL PAÍS.

Autor de quatro livros, promotor de Justiça aposentado, livre-docente, professor de direito processual penal na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), jurista citado em mais de uma centena de acórdãos no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça, Afrânio Jardim diz que os procuradores da Lava Jato parecem viver um deslumbramento.

“O que vejo é que os colegas mais novos da Lava Jato estão meio deslumbrados. Agem messianicamente, acham que são os salvadores da pátria. É uma visão ingênua. Aí, os fins justificam os meios”, avalia.

O rompimento com Moro e o descontentamento com os rumos da Lava Jato deram-se exatamente quando interceptações telefônicas de Lula e Dilma foram divulgadas extemporaneamente em meados de março. Na ocasião, Jardim disse ao juiz que ali, ele havia perdido a imparcialidade que os magistrados precisam ter.

“Eu disse para ele que estava agastado, que ele estava me decepcionando. Ele respondeu que lamentava muito, que ficava triste. Não nos falamos mais, não trocamos mais e-mails”.

O curioso é que Moro, ao lado de outros 50 operadores de direito, é autor de um dos artigos que compõem a obra Tributo a Afrânio Silva Jardim, escritos e estudos, livro que terá sua terceira edição publicada até outubro. “Agora, ele deve estar constrangido. E eu também estou”, diz o homenageado.

Ainda com relação à atuação do juiz, Jardim afirma que estranhou a série de prisões domiciliares autorizadas por ele. A maioria dos empreiteiros que está detida responde a crimes cujo as penas são superiores a dez anos de prisão. A legislação, contudo, prevê queesse tipo de benefício domiciliar só pode ser concedido caso a punição seja inferior a quatro anos de reclusão ou se o processo já tiver sido julgado em todas as instâncias e a lei assim o autorizar, o que ainda não ocorreu em nenhum caso da Lava Jato.

“Às vezes, Sergio Moro passa uma imagem de severíssimo, mas os empresários estão presos em suas casas, suas mansões. Brinco dizendo que talvez estejam com tornozeleiras eletrônicas douradas, cravejadas de diamantes”.

EL PAÍS

Pesquisa sobre quem é culpado pelo estupro apresenta números assustadores

Um em cada três brasileiros acredita que a mulher é culpada por ser estuprada, revela nova pesquisa. Esse índice aumenta entre os idosos e adultos com mais de 35 anos. 37% dos entrevistados dizem ainda concordar com a seguinte frase: "Mulheres que se dão ao respeito não são estupradas". 

Confira os dados



Uma pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgada nesta quarta-feira (21) revela que um em cada três brasileiros concorda que a mulher vítima de estupro é, de alguma forma, responsável pela violência sexual sofrida. A pesquisa foi realizada pelo instituto Datafolha.

Dos entrevistados, 30% afirmaram que concordavam com a seguinte afirmação: “A mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”. O percentual foi o mesmo entre homens e mulheres.

Esse índice aumenta entre os idosos e adultos com mais de 35 anos e entre as pessoas com menor grau de escolaridade. O maior percentual de entrevistados que disseram concordar com a frase é da região Norte do país (38%).

Os participantes da pesquisa também foram questionados se concordavam com a frase “Mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”. 37% do total de entrevistados falaram que sim. O percentual foi maior entre os homens (42%) em relação às mulheres (32%).


Segundo a enquete, o índice dos que concordaram foi menor entre os adolescentes e jovens e entre as pessoas com nível maior de estudo. Moradores da região Sul foram as que mais disseram discordar da afirmação (30%).
“A mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”

30% concorda
65% discorda
4% não concorda nem discorda
1% não sabe
“Mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”

37% concorda
57% discorda
4% não concorda nem discorda
1% não sabe

“O resultado da pesquisa indica que muitas vezes as próprias mulheres ainda são consideradas responsáveis pela violência sexual, seja por não se comportarem “adequadamente” ou por usarem roupas provocantes. Esse pensamento vem de um discurso socialmente construído, o qual considera que se a mulher é vítima de alguma agressão sexual é porque de alguma forma provocou esta situação”, afirma o texto do estudo.

A pesquisa foi realizada com 3.625 pessoas, com 16 anos ou mais, que moram em 217 municípios, entre os dias 1º e 5 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

SAIBA MAIS: 

O levantamento revelou também que 85% das mulheres entrevistadas têm medo de ser estupradas. Entre os homens, esse percentual é de 46%. O temor é mais frequente entre as adolescentes e mulheres mais jovens e entre as moradoras das regiões Norte e Nordeste do país.

Segundo a pesquisa, nove em cada dez mulheres que vivem no Nordeste afirmaram ter medo de sofrer violência sexual. No Norte, o percentual é de 87,5%.

“Além de afetar a saúde física e psíquica das vítimas diretas, o medo do estupro se coloca como um elemento permanente na vida das mulheres em geral, limitando suas decisões e seu pleno potencial de desenvolvimento e de sua liberdade”, diz o estudo.
Violência sexual

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), violência sexual é “qualquer ato sexual ou tentativa de obter ato sexual, investidas ou comentários sexuais indesejáveis, ou tráfico ou qualquer outra forma, contra a sexualidade de uma pessoa usando coerção”.

“Se na última década avançamos consideravelmente no debate sobre violência doméstica no Brasil, o debate sobre violência sexual permanece travado por uma série de tabus e disputas ideológicas, que inviabilizam o tratamento de questões fundamentais relativas ao atendimento das vítimas”, diz a pesquisa.

informações de Folhapress

Serra vai a show de Woody Allen em Nova York e escuta coro de 'Fora Temer'

Show de Woody Allen em Nova York tem ‘Fora, Temer’ com José Serra na plateia. Ministro das Relações Exteriores está em viagem pelos Estados Unidos acompanhando a comitiva do ex-interino Michel Temer



O bar do Hotel Carlyle, em Nova York, tem como uma de suas principais atrações nas segundas-feiras um show da banda do cineasta Woody Allen.

A apresentação costuma atrair pessoas de diversas nacionalidades e, nesta semana, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, que está em viagem pelos Estados Unidos acompanhando a comitiva de Michel Temer, foi assistir ao show.

Segundo a coluna do jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, ao ser identificado pelos brasileiros que estavam na plateia, incluindo a atriz Patrícia Pilar, o coro que se ouviu foi o já famoso “Fora, Temer”.
Protestos

Michel Temer tem sofrido com protestos desde que chegou a Nova York. O presidente foi chamado de ‘golpista’ por manifestantes em frente ao hotel em que está hospedado.

Nesta terça-feira (20), integrantes de seis delegações abandonaram o plenário da ONU na hora do discurso do ex-interino brasileiro. Para José Serra, o protesto foi irrelevante. “Sinceramente, eu não vi. E não acho relevante. (…) A ONU tem 200 países, então, não me parece uma porção significativa”, disse.

Deixaram o plenário da ONU, as delegações do Equador e da Venezuela. Também deixaram o plenário representantes de Costa Rica, Bolivia, Cuba e Nicarágua.

98% dos medalhistas paralímpicos brasileiros receberam Bolsa Atleta

Paralimpíadas: 98% dos medalhistas receberam Bolsa Atleta na Rio 2016. Criado por Lula em 2005, o programa é o maior do gênero no mundo e se mostrou fundamental para a performance do Brasil nos Jogos




O Brasil realizou a melhor campanha em Paralímpiadas da história, na Rio 2016, apesar de não ter atingindo a meta de chegar entre os cinco primeiros em ouros do quadro de medalhas. Foram 72 medalhas conquistadas por 103 atletas em esportes coletivos e individuais.

Para chegar a essa meta, o país investiu mais de R$ 99 milhões em 5.191 bolsas para atletas com deficiência, do esporte escolar até a alto rendimento. Criado por Lula em 2005, o programa Bolsa Atleta é o maior do gênero no mundo e se mostrou fundamental para a performance do Brasil nos Jogos.

Da delegação total de 289 brasileiros na Rio 2016, 262 (ou 90,65%) tiveram patrocínio de bolsas atletas durante o último ciclo paralímpico, entre 2012 e 2016. Dos 103 medalhistas brasileiros, 101 receberam bolsas do governo durante esse período.

Para o judoca veterano Antônio Tenório, prata no Rio e vencedor de outras cinco medalhas paralímpicas, “o Brasil tem que continuar investindo nesses atletas e confiando na grande potência do paradesporto. Se parar de investir, nosso rendimento vai cair”.

O craque Ricardinho, do futebol de 5 e tricampeão olímpico, disse que “de 2013 para cá, tivemos aumento nos recursos para o esporte paralímpico, e as modalidades evoluíram. Temos que melhorar, pois as outras seleções estão evoluindo e não queremos ficar para trás. Esperamos que o próximo ciclo continue neste crescendo”.

Em comparação, nos Jogos Olímpicos do Rio, 358 (76,9%) dos 465 atletas participantes receberam bolsa atleta. Dos 49 atletas que conquistaram 19 medalhas, 20 homens (40,8% do total), dois do vôlei e 18 do futebol, não receberam apoio do programa bolsa atleta. O futebol masculino é a única modalidade que não é apta a receber o apoio do programa.

A bolsa atleta é o único patrocínio de 96% dos atletas olímpicos e paralímpicos. Desde 2005, quando o programa foi criado, foram investidos mais de R$ 600 milhões em 43 mil bolsas.

com EBC

Nomeada por Temer para chefiar AGU diz que "não lembrava" que era tucana

Nova ministra chefe da AGU do governo Temer é filiada ao PSDB há 20 anos, mas diz que não sabia. Grace Maria Fernandes Mendonça entrou para o partido em 1997. Ex-ministro da AGU foi demitido após revelar que o governo estava interferindo para poupar aliados na Lava Jato



A nova ministra da Advocacia-Geral da União (AGU), Grace Maria Fernandes Mendonça, é filiada ao PSDB desde 30 de abril de 1997, mas diz que não se lembrava que pertencia aos quadros do partido.

A informação foi publicada em primeira mão pela coluna Expresso, do site da revista Época, que mostrou o registro da advogada-geral da União na página do Tribunal Superior Eleitoral.

Grace afirma que nunca participou da vida partidária do PSDB no Distrito Federal e que se surpreendeu ao ver seu nome de solteira na relação dos filiados tucanos.

“A advogada-geral da União afirma que se surpreendeu com este registro, o qual não se recorda de ter feito. Em consulta ao TSE, entretanto, verificou-se a existência da filiação, datada de 1997, em que consta o nome de solteira da ministra: Grace Maria Lima Fernandes”, afirmou em nota enviada por sua assessoria.

“A advogada-geral reitera que jamais participou de atividade partidária por qualquer agremiação. Sua atuação à frente da Advocacia-Geral da União é eminentemente técnico-jurídica e voltada ao exercício de uma advocacia pública de Estado”, acrescentou.

A única ministra nomeada pelo presidente Michel Temer adiantou que vai pedir desfiliação do PSDB. “Diante deste fato, ainda que reconhecendo a importância das legendas no Estado Democrático de Direito, Grace Maria Fernandes Mendonça vai, cordialmente, solicitar sua imediata desfiliação”, completou a assessoria.

Grace assumiu a AGU no último dia 14, no lugar de Fábio Medina, demitido após se desentender com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Medina deixou o cargo acusando integrantes do governo de tentarem interferir nas investigações da Operação Lava Jato para poupar aliados.

Congresso em Foco

CIRO GOMES DIZ QUE VAI SEQUESTRAR LULA CASO ELE SEJA CONDENADO INJUSTAMENTE

Em vídeo, Ciro Gomes diz que se houver indícios de que Lula será preso injustamente, ele irá "sequestrar" o ex-presidente e colocá-lo em uma embaixada, onde ficará fora do alcance da Justiça brasileira



Ciro Gomes (PDT), que foi ministro da Integração Nacional no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que se houver indícios de que o ex-presidente será preso injustamente, ele irá “sequestrar” Lula e colocá-lo em uma embaixada, onde ficará fora do alcance da Justiça brasileira.

Ciro afirma que é preciso formar um grupo de defesa do ex-metalúrgico. Para ele, juristas avaliariam quando seria hora de agir para proteger Lula.

“Eu quero me voluntariar para formar um grupo, com juristas nos assessorando, que se a gente entender que o Lula pode ser vítima de uma prisão arbitrária, a gente vai lá e sequestra ele e entrega ele numa embaixada. Isso eu topo fazer”, declarou Ciro Gomes em vídeo (assista abaixo)
Lava Jato

Nesta terça-feira (21), o juiz Sergio Moro aceitou a acusação sem provas de Deltan Dallagnol contra Lula e a sua esposa, Marisa Letícia. Ambos viraram réus na Lava Jato.

Dallagnol e sua equipe afirmam que o ex-presidente cometeu os crimes de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro ao receber um triplex no Guarujá (SP) e o armazenamento de seus pertences da empreiteira OAS. As vantagens somariam R$ 3,7 milhões.

VÍDEO:
com informações de Consultor Jurídico

Mídia internacional repercute decisão de Moro de aceitar denúncia contra Lula

Confira como The New York Times, The Guardian, Le Monde e outros veículos da imprensa internacional noticiaram a decisão do juiz Sérgio Moro de aceitar a denúncia contra o ex-presidente Lula



A decisão do juiz Sérgio Moro de aceitar, nesta terça-feira 20, a denúncia da força-tarefa da Operação Lava Jato contra o ex-presidente Lula por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do apartamento no Guarujá gerou grande repercussão na imprensa internacional.

Para o jornal britânico The Guardian, “o palco está montado para o julgamento mais carregado politicamente na história moderna do Brasil”.

O diário britânico diz que a decisão “vem no momento de intensa turbulência política e econômica” e “elevará ainda mais a temperatura” no país.

A reportagem acredita que as tensões são exacerbadas “pela investigação da Lava Jato que dura dois anos e uma conspiração para encerrar 13 anos do PT no poder”.

Para o The New York Times, jornal mais influente do mundo, a decisão ocorre “em meio a um debate nacional sobre se os promotores estão ultrapassando seus esforços para prender” Lula.

O francês Le Monde disse que o magistrado aceitou as acusações “disposto a enfrentar a controvérsia de uma acusação fundada sob indícios frágeis, que pode gerar inquietação em muitos brasileiros”.

Já o argentino Clarín apontou a “assombrosa rapidez” de Moro em aceitar a denúncia, que foi apresentada na semana passada com muita polêmica.
ACUSAÇÃO

Na última semana, a denúncia contra Lula apresentada por Deltan Dallagnol também ganhoudestaque na mídia internacional. Na ocasião, o The New York Times disse que as denúncias em si contra o ex-presidente são “muito limitadas” e que “a quantia de dinheiro da qual Lula é acusado de receber nas reformas do apartamento não é nada comparada ao que outros [políticos] foram acusados de receber nos últimos anos”.

Já o diário americano Chicago Tribune afirmou que os promotores brasileiros foram econômicos ao apresentar as provas contra Lula – o que poderia colocar em xeque o futuro da Operação Lava.

Para o “Chicago Tribune“, “o fosso escancarado entre as acusações verbais e as denúncias (formais) levantaram questões sobre o futuro da investigação”. Se por um lado as “acusações drásticas” podem ajudar os promotores a manter o caso em sua jurisdição, por outro, implicam “riscos” de que a investigação seja vista como politizada.

Michel Temer promete reduzir verbas para Saúde e Educação até 18 de dezembro

Em entrevista nos Estados Unidos, Michel Temer promete impor limites à saúde e educação até 18 de dezembro. Proposta prevê congelamento de reajustes salariais e de concursos públicos. O ex-interino garante que o fato de ele não ter "interesses eleitorais" o ajuda a aprovar demandas impopulares

(Imagem: Michel Temer em Nova York)


Nos Estados Unidos para a convenção da ONU, o presidente Michel Temer concedeu, na terça (20), entrevista exclusiva ao portal Bloomberg, oportunidade em que foi questionado sobre as reformas que promete entregar até o final de 2018.

Pressionado pelo entrevistador a mostrar compromisso com as pautas relacionadas ao ajuste fiscal, Temer disse que, em seu cronograma, a primeira demanda que vai entregar é a PEC 241, que estabelece um limite para os gastos públicos, reduzindo o aporte para saúde e educação.

Segundo ele, essa matéria avançará em comissões especiais da Câmara a partir de 3 de outubro e será concluída no Senado até 18 de dezembro.

PSOL, PT e Rede já apresentaram diversos requerimentos contra a PEC 241. A proposta retiora recursos da saúde e da educação e congela o reajuste dos servidores e os concursos públicos.

Quanto à reforma da Previdência, Temer garantiu que ela será enviada ao Congresso ainda neste ano e deve ser aprovada até o final do primeiro semestre de 2017.

“Tem ainda a terceira reforma, que é a trabalhista, para garantir o emprego. Matéria, aliás, que vem sendo trabalhada na Suprema Corte. A proposta que eu defendo, de fazer prevalecer acordos coletivos entre trabalhadores e empregadores sobre o que está registrado, já vem sendo tratada no Supremo”, disse.

Segundo Temer, o fato de ele não ter “interesses eleitorais” o ajuda a aprovar demandas impopulares. Ele disse que está inspirado no ex-presidente Juscelino Kubitschek, que era “muito ativo, modernizante e fazia um governo alegre. Minha função – em dois anos e quatro meses – é colocar o Brasil nos trilhos. Não pretendo mais do que isso.”

O mesmo não pode ser dito sobre José Serra. Segundo a redação do Bloombergh, o ministro de Relações Exteriores acompanhou Temer na entrevista concedida em Nova York, e não parava de interromper o presidente para dar pitacos nas questões sobre economia.

“Na entrevista, o presidente estava acompanhado por membros do gabinete, incluindo o ministro das Relações Exteriores, José Serra, ex-candidato presidencial que estaria analisando a possibilidade de concorrer novamente a presidência. Serra tomou a palavra diversas vezes para dar suas opiniões a respeito do estado da economia”, diz a matéria.

com Jornal GGN

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Pedido de impeachment de Gilmar Mendes é arquivado por Renan Calheiros

Renan Calheiros arquiva pedido de impeachment de Gilmar Mendes. Presidente do Senado afirma que documento protocolado por juristas na última semana não apresenta justa causa para abertura de processo contra o ministro do Supremo Tribunal Federal

Gilmar Mendes e Renan Calheiros (Fotos Públicos/Agência Brasil)


O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou na sessão desta terça-feira (20) o arquivamento do pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

A denúncia contra o ministro foi protocolada por um grupo de juristas na última terça-feira (13), que o acusava de “conduta partidária no exercício do mandato” (relembre aqui).

Para os juristas, Gilmar tem se “mostrado extremamente leniente com relação a casos de interesse do PSDB e de seus filiados, tanto quando extremamente rigorosos no julgamento de casos de interesse do Partido dos Trabalhadores”.

Entre outros casos, o documento lembra de episódios como a crítica de Gilmar Mendes à Lei da Ficha Lima, que chamou seus autores de “bêbados”.

Renan disse que as denúncias são baseadas exclusivamente em matérias jornalísticas, declarações e transcrições de votos.

“Dada a insubsistência do conjunto probatório, não se vislumbra incompatibilidade de seus atos com a honra ou decoro, com o desempenho de suas funções”, afirmou o peemedebista.

Alegando ausência de justa causa, o presidente do Senado determinou o arquivamento da denúncia.

Seis países abandonam plenário durante discurso de Temer na ONU

Seis países deixaram o plenário durante o discurso do presidente Michel Temer na ONU, em Nova York. O ex-interino afirmou que o impeachment no Brasil foi um exemplo para o mundo

Michel Temer na ONU


O presidente brasileiro Michel Temer afirmou nesta terça-feira (20/09), na abertura da 71ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York (EUA), que o impeachment de Dilma Rousseff transcorreu ‘dentro do mais absoluto respeito constitucional’.

Temer foi o primeiro mandatário a discursar no encontro, seguindo a tradição que, desde 1947, delega ao Brasil o início dos pronunciamentos na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Antes do pronunciamento de Temer, diplomatas e ministros de Equador, Costa Rica, Bolívia, Cuba, Nicarágua e Venezuela se retiraram do salão onde ocorre a reunião.

Esses países se manifestaram publicamente, em diversas ocasiões, contra o processo de impeachment de Dilma e qualificaram o julgamento contra a ex-mandatária como um “golpe de Estado”.

Segundo ele, o Brasil possui um “compromisso inegociável com a democracia”, ao referir-se ao impeachment que afastou Dilma Rousseff definitivamente da Presidência em 31 de agosto e o conduziu ao cargo.

Temer classificou o impeachment de sua antecessora como “um impedimento”, em um processo “regrado e conduzido pelo Congresso Nacional e pela Suprema Corte brasileira”.

“Tudo transcorreu dentro do mais absoluto respeito constitucional”, declarou o mandatário.

“Não há democracia sem Estado de Direito, que se aplica a todos, é o que o Brasil mostra ao mundo”, completou o mandatário, para quem o processo indicou que “não prevalecem vontades isoladas”.

Ele disse também que o compromisso do novo governo, a partir de agora, é retomar o crescimento econômico e a geração de empregos e apostar em parcerias com diferentes países para alavancar o desenvolvimento nacional.

Esta foi a primeira participação de Temer na Assembleia, principal encontro político da ONU e que reúne todos os 193 estados-membros da entidade.

Desafios e vitórias da diplomacia

No início de seu discurso, Temer destacou a “força da diversidade” brasileira e disse que o país defende, com afinco, os princípios da ONU, “hoje, mais necessários do que nunca”.

Segundo ele, o mundo apresenta “marcas de incerteza e instabilidade”, dentre as quais destacou o fundamentalismo e o terrorismo, a questão dos refugiados e o crescimento do nacionalismo em muitos países.

O presidente disse também que, apesar do “sentimento de perplexidade” diante do que classificou como ameaças, é importante não se fechar no discurso do “medo” e do “entrincheiramento”.

“Não podemos nos encolher dentro desse mundo, ao contrário, temos que nos unir para transformá-lo pela diplomacia; equilibrada, mas firme; sóbria, mas determinada; com pés no chão, mas com sede de mudança. É assim que o Brasil atua, na nossa sua região e além dela”, disse Temer, que destacou também a paz, o desenvolvimento sustentável e o respeito aos direitos humanos como “valores e aspirações da sociedade brasileira”.

Ao afirmar que é preciso reformar o Conselho de Segurança da ONU, disse que “continuaremos a colaborar para a superação do impasse em torno desse tema”.

Como desafios do mundo atual, citou a necessidade de encontrar uma solução política para o conflito na Síria, o impasse entre Israel e a Palestina e “a falta de progresso na agenda de desarmamento nuclear”.

Já como “boas notícias”, mencionou “a vitória da diplomacia” na condução do dossiê nuclear iraniano, o acordo de paz entre o governo de Juan Manuel Santos e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e a reaproximação entre Cuba e Estados Unidos.

Integração regional

Sobre a integração latino-americana, Temer disse que o tema é “princípio constitucional e prioridade permanente de política externa”, afirmando que essa é base de projetos como o Mercosul.

Segundo ele, é “natural e salutar” que haja governos com diferentes inclinações políticas na região, mas disse ser essencial o “respeito mútuo” para “convergir em função de objetivos básicos, como o crescimento econômico, os direitos humanos, os avanços sociais, a segurança e a liberdade de nossos cidadãos”.

Ele fez referência também às tropas brasileiras no Haiti que, desde 2004, lideram uma missão de paz no país, e desejou que elas possam “voltar-se mais para o desenvolvimento e o fortalecimento das instituições” do país centro-americano.

Ambiente e desenvolvimento

Temer anunciou também que irá depositar nesta quarta-feira (21/09) o instrumento de ratificação do país ao Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas e qualificou o Brasil como “uma potência ambiental que tem compromisso inequívoco com o meio ambiente”.

Ao mencionar a questão ambiental, ele falou sobre a importância do desenvolvimento e pediu o fim do protecionismo, “uma perversa barreira ao desenvolvimento”, e em particular o fim do protecionismo agrícola. “É urgente impedir que medidas sanitárias e fitossanitárias continuem a ser utilizadas para fins protecionistas”, declarou.

Refugiados

Sobre a questão de direitos humanos, Michel Temer afirmou que é preciso estar atento à questão das minorias e de outros segmentos vulneráveis. Nesse sentido, ele disse que o Brasil lida com a questão por meio de programas de transferência de renda e de acesso à habitação e à educação, e com a defesa da igualdade de gênero.

Temer lembrou também que refugiados e migrantes são vítimas de diversas violências e acrescentou que o Brasil, país que classificou como “ obra de imigrantes”, tem dado a abrigo a esses cidadãos.

No final de seu pronunciamento, o mandatário expressou “apreço e gratidão” ao secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, que deverá deixar o cargo em dezembro, por sua dedicação nos últimos 10 anos à busca pela paz.

Opera Mundi

Comentarista da Globo recusa convite de Michel Temer para ocupar cargo

O jornalista da TV Globo Heraldo Pereira recusou convite para ocupar o cargo de porta-voz de Michel Temer. Ele concentraria a divulgação das informações do governo, caso tivesse aceitado o trabalho

Heraldo Pereira


O jornalista Heraldo Pereira, comentarista político do Jornal da Globo, foi cortejado por Michel Temer e sua equipe para ocupar a função de porta-voz da Presidência da República, mas disse não.

O nome de Heraldo, que também é apresentador substituto do Jornal Nacional, era uma unanimidade no Palácio do Planalto para o cargo. Temer busca um porta-voz que tenha a função de concentrar as informações do governo, evitando controvérsias.

O nome analisado agora, após a recusa do global, é o do jornalista Eduardo Oinegue, que já passou pelas revistas Veja e Exame.
Recuos

Em pouco tempo de governo, o Planalto recuou em diversas ações que chegaram a ser anunciadas por ministros ou que simplesmente circularam como informações de bastidores pela imprensa.

Na maioria das vezes, referente ao corte de benefícios sociais e trabalhistas.

A última declaração que causou polêmica foi feita pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, que disse que a reforma trabalhista de Temer tinha a proposta de elevar para 12 horas diárias a jornada de trabalho.

A informação foi negada no dia seguinte por pressão do Planalto, após uma péssima repercussão.

Na última semana, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou a estratégia de comunicação do governo de Michel Temer e disse que é preciso um novo “elo com as ruas’.

“Ele (governo) está se comunicando muito mal, de forma antiquada, mofada, ineficaz”, afirmou Maia, eleito presidente da Câmara em julho com o apoio do Palácio do Planalto.

Na calada da noite, deputados tentam anistiar alvos da Lava Jato

PSDB e PP manobram e quase conseguem, na calada da noite, com o aval do presidente da Câmara, aprovar um projeto que salvaria a pele de diversos alvos da Lava Jato. Depois que a farsa foi revelada, a proposta foi retirada de votação, mas poderá voltar à pauta da Casa em outra oportunidade



Na calada da noite desta segunda-feira (19), deputados tentaram aprovar um projeto que visava anistiar políticos alvos da Lava Jato e que incorreram na prática de Caixa 2. A iniciativa foi vista como uma manobra, já que o projeto foi colocado na pauta de última hora e de maneira camuflada.

Diante dos protestos e dos apelos, o deputado Beto Mansur (PRB-SP), que presidia os trabalhos, cedeu e retirou de ofício o projeto, que poderá voltar à pauta da Casa em outra oportunidade. Ele anunciou que haviam dois requerimentos sobre a mesa: uma para retirada de pauta e o outro para votação nominal do projeto.

Deputados contrários ao projeto criticaram a iniciativa de Mansur e insistiram que a votação fosse nominal para constar no painel a posição de cada parlamentar sobre anistia. “Queremos a votação nominal para que fique no painel quem quer anistiar o caixa 2. Querem jogar daqui para a frente [a criminalização] e esquecer o passado”, disse o líder do PSOL, Ivan Valente (SP).

Apesar de não deixar claro quais foram os articulares para o projeto entrar em pauta, jornais divulgaram que a iniciativa foi de deputados do PSDB e do PP, com aval do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Maia ocupa agora a interinidade na Presidência da República, pela viagem de Michel Temer aos Estados Unidos.

Ao ser perguntado, o presidente da Câmara negou. “Não dei aval nenhum. O que disse é que se fossem votar que votassem o texto do Ministério Público, que todos defendem, para não gerar nenhum tipo de dúvida na sociedade”, disse
Votação

A votação do projeto foi questionada desde o início da sessão que aprovou a Medida Provisória 734/16, que destinou apoio financeiro de R$ 2,9 bilhões para auxiliar nas despesas com segurança pública do estado do Rio de Janeiro em decorrência da realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

Deputados do PSOL, PDT, PSB, Rede e PT reclamaram da inclusão do projeto na pauta com o argumento de que ele tinha recebido emendas que acabam dando anistia para a prática de caixa 2.

Os parlamentares avaliaram que a manobra seria conseguida a partir da aprovação de uma emenda tornando crime a prática. “Não quero impedir outros assuntos de serem analisados na sessão, mas quero atrapalhar essa história de anistia de caixa 2, que é crime”, criticou o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ). “Não é tolerável propor uma medida como essa sem nenhuma discussão. Isso é desrespeitar os deputados”.

O entendimento é que, se houver a criminalização do caixa 2, a partir de então a lei não poderá retroagir em desfavor do acusado. Desta forma, todas as práticas adotadas antes da lei entrar em vigor são automaticamente anistiadas. “Corre um boato de que uma emenda aglutinativa está sendo preparada para permitir a anistia de caixa 2”, disse o líder da Rede, Alessandro Molon (RJ).

com Agência Brasil e Folhapress

Sergio Moro aceita denúncia contra Lula na Lava Jato

Em jogo de cartas marcadas, Sergio Moro aceita denúncia contra Lula na Lava Jato. Juiz diz que há indícios de que ex-presidente teria sido beneficiado por vantagens pagas pela OAS



O juiz Sérgio Moro aceitou neste terça-feira (20) a denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, Lula se torna réu e será julgado pelos crimes de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

Além do petista, Moro acatou também as denúncias contra a esposa de Lula, Marisa Letícia, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o empresário Léo Pinheiro e o ex-diretor Paulo Gordilho, da OAS, além de Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Fábio Hori Yonamine, Roberto Moreira Ferreira, funcionários da empreiteira.

A denúncia foi feita pelo MPF na semana passada em uma apresentação que Lula avaliou como “pirotecnia”. A OAB classificou a acusação como ‘espetaculosa’. Diversos juristas apontaram a fragilidade da denúncia e até ministros do STF rechaçaram as acusações apresentadas pelo procurador Deltan Dallagnol.

A denúncia sustenta que Lula , ao todo, recebeu R$ 3,7 milhões em propina da empreiteira OAS. Deste montante, segundo o MPF, R$ 1,1 milhão são do tríplex no Edifícil Solaris, no Guarujá (SP), outros R$ 926 mil referente a reformas no imóvel, R$ 342 mil para instalação de cozinha e outros móveis personalizados, além de R$ 8 mil para a compra de fogão, micro-ondas e geladeira. Ainda são somados a este valor, R$ 1,3 milhão pago pela OAS ao ex-presidente para armazenar bens em um depósito.

Na decisão, Moro diz que “certamente, tais elementos probatórios são questionáveis, mas, nessa fase preliminar, não se exige conclusão quanto à presença da responsabilidade criminal, mas apenas justa causa”.

O juiz pondera que “nessa fase processual, não cabe exame aprofundado das provas, algo só viável após a instrução e especialmente o exercício do direito de defesa”. E ainda lembra que “entre os acusados, encontra-se ex-Presidente da República, com o que a propositura da denúncia e o seu recebimento podem dar azo a celeumas de toda a espécie”.
Bancoop

No mesmo despacho em que acolheu a denúncia do Ministerio Público Federal contra o ex-presidente Lula e mais sete pessoas, o juiz Sérgio Moro devolveu à Justiça Estadual de São Paulo a investigação sobre um possível envolvimento do ex-presidente no estelionato contra cooperados da Bancoop. A denúncia aceita por Moro se refere o recebimento de propina da OAS na forma do imóvel, da reforma e dos móveis do tríplex do Guarujá, no litoral paulista, e armazenamento dos seus bens.

A Justiça Paulista alegava que o apartamento do Guarujá estava relacionado ao esquema da Bancoop. Moro rejeitou esta hipótese. Segundo ele, além disso, a investigação sobre a cooperativa dos bancários é de competência dos promotores paulistas, razão pela qual ele a devolveu a São Paulo.

“Deve ela (ação penal) ser devolvida, com a supressão porém de todas as imputações relacionadas ao ex-Presidente da República e seus familiares e igualmente em relação a qualquer fato envolvendo o apartamento 164-A do Condomínio Solaris”, diz o despacho.

“Os ilustres Promotores de Justiça autores da denúncia relacionaram equivocadamente a concessão do apartamento em questão ao ex-Presidente a fraudes no âmbito da Bancoop, o que não está, em princípio, correto, considerando o teor da denúncia ora recebida.”
Farsa

Lula afirmou que a denúncia contra ele feita pelo MPF e aceita pelo juiz Sérgio Moro é uma grande mentira.

“Fiquei sabendo agora que o juiz Moro aceitou a denúncia contra mim, mesmo a denúncia sendo uma farsa, uma grande mentira, um grande show de pirotecnia nesse país. De qualquer forma, como eu acredito na Justiça, tenho bons advogados, vamos brigar para ver o que dá. A verdade é essa: vamos continuar lutando para que Brasil conquiste a democracia e que o povo brasileiro volte a ter orgulho de ser brasileiro, porque nós somos brasileiros e não desistimos nunca”, disse Lula.

O ex-presidente comentou a decisão de Moro durante participação, por videoconferência, em evento organizado em Nova York pela Confederação Sindical Internacional em sua defesa. Lula também disse duvidar que exista “um empresário minimamente sério neste país que tenha a coragem de dizer que o Lula um dia pediu um dólar para ele para alguma coisa.”

“No Brasil, nesse instante, o que menos importa é a verdade, o que mais importa é a construção da versão. Eu conto uma versão, essa versão se torna manchete de jornal, a manchete de jornal é manipulada para a televisão, e aí a pessoa, independentemente de ser inocente, essa pessoa passa a ser condenada pela opinião pública”, protestou o ex-presidente.

Segundo Lula, há um “conluio” entre “alguns agentes” da Polícia Federal, do Ministério Público e “até alguns da Fazenda” na perspectiva de tentar evitar que ele seja candidato a presidente em 2018. “Não tenho convicção disso, mas é isso que eu leio todo dia”, disse.

“O que está acontecendo no Brasil não me abala. Apenas me motiva a andar muito mais, a falar muito mais, a gritar muito mais”, afirmou.
Parcialidade

Uma nota divulgada no site do ex-presidente logo após a participação de Lula no evento diz que Moro “confirmou sua parcialidade em relação a Lula, que já foi denunciada ao Supremo Tribunal Federal e à Corte Internacional de Direitos Humanos da ONU” e “deu prosseguimento ao espetáculo de perseguição política iniciado pelos procuradores semana passada.”

Ainda de acordo com o comunicado, a denúncia “tem caráter eminentemente político, sendo o resultado de uma série de arbitrariedades e violações de direitos”. O texto ainda diz que se está diante “de um processo de cartas marcadas” com o “claro objetivo” de excluir Lula da vida política.

“É evidente que este juiz perdeu a imparcialidade para julgar Lula. Apesar disso, ele insiste em querer julgá-lo sozinho e submetê-lo a um juízo de exceção”, disse o advogado do ex-presidente.

domingo, 18 de setembro de 2016

11 de Setembro: um dia de atentados terroristas

O 11 de setembro tornou-se uma data em que dois grandes atentados terroristas aconteceram, deixando milhares de mortos.

Atentado ao Palácio de La Moneda, Chile, em 1973 ¹


O dia 11 de setembro é, sem dúvidas, uma data marcante para a história mundial. Nesse mesmo dia, ocorreram dois grandiosos atentados terroristas: um em 1973, outro em 2001. No Chile, as forças que promoveram um golpe militar no país derrubaram o governo de Salvador Allende e instauraram um regime ditatorial comandado por Augusto Pinochet. Nos Estados Unidos, aviões foram lançados contra as torres do World Trade Center e contra o Pentágono, deixando milhares de mortos em uma ação atribuída à organização terrorista Al-Qaeda.

No ano de 1970, Salvador Allende foi eleito o presidente do Chile, em uma candidatura construída pelo Partido Socialista Chileno (PSCh) em conjunto a outros partidos de esquerda, inclusive o PCCh (Partido Comunista Chileno), de orientação stalinista que já se rivalizara com o PSCh em tempos anteriores. A coalização partidária que levou Allende ao poder era chamada de Unidade Popular (UP).

A postura do governo de Allende desagradava profundamente o imperialismo norte-americano da época, pois foram estatizadas empresas estratégicas e reformas de base foram implementadas, com destaque para uma ampla operação de Reforma Agrária no país. Assim, o governo pretendia estabelecer transformações estruturais que gerissem as bases para a construção popular de uma sociedade socialista chilena. Além disso, ao contrário de líderes como Fidel Castro e o Partido Comunista Soviético, Allende defendia uma via pacífica para a construção de uma via popular de esquerda.

No ano de 1973, a direita chilena arquitetou a realização de um impeachment para tentar retomar o poder. O plano era fortalecer-se nas eleições municipais desse ano, fato que não aconteceu, pois o PSCh alcançou cerca de 46% do total de votos válidos. Com isso, uma nova estratégia foi articulada, com a intensificação de uma pesada pressão política arquitetada por grupos de direita e que envolvia até atentados terroristas.

Assim, comandados pelo Doutrina Truman e contando com um amplo apoio da Central de Inteligência Americana (CIA), os grupos de extrema-direita organizaram-se nos núcleos militares chilenos, até então subestimados pelo governo de Allende.

O resultado dessa configuração foi a instauração do golpe militar que culminou nos atentados no Palácio de La Moneda em 11 de setembro, onde Allende cometeu suicídio. A ação militar foi diretamente comandada pelo general das Forças Amadas, Augusto Pinochet, responsável por uma ditadura sangrenta que perdurou até o ano de 1989, sendo, também, a primeira experiência neoliberal na América Latina.

Nos Estados Unidos, os atentados de 11 de setembro, por serem mais recentes e por terem atingido a maior potência mundial, tornaram-se mais conhecidos e propalados do que os dos Chile. Durante esse episódio, forças organizadas pela Al-Qaeda, cuja liderança foi atribuída a Osama Bin Laden, interceptaram e controlaram quatro aviões tripulados americanos. Dois deles atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, um atingiu o Pentágono e o último caiu na Pensilvânia, sem que tenha conseguido alcançar o seu alvo que, segundo versões oficiais do governo estadunidense, era o Capitólio, a sede do Poder Legislativo dos EUA.

No plano econômico, os atentados provocaram a imediata queda das bolsas de valores dos EUA, influenciando também várias outras economias em todo o mundo. Além disso, os setores de aviação foram profundamente afetados, com uma queda brusca na procura dos consumidores, gerada pela desconfiança imediata sobre a segurança oferecida pelos sistemas aéreos.

Além disso, os Estados Unidos iniciaram, sob a prerrogativa de estabelecer uma “Guerra ao Terror”, uma série de ações que cerceava a liberdade de seus cidadãos, através de leis que permitiam o governo invadir casas, interrogar suspeitos, espionar a vida particular sem autorização prévia e, dependendo do caso, sem o direito imediato de defesa dos acusados. No plano externo, iniciou-se uma série de investidas militares e posturas geopolíticas agressivas, envolvendo a chamada “guerra preventiva”, da qual resultaram as guerras no Afeganistão e no Iraque.

                   World Trade Center horas antes da queda das Torres Gêmeas ²

O que se pode concluir desses dois atentados de 11 de setembro é que ambos foram arquitetados no seio das relações de disputa pelo poder. O primeiro pretendia mudar diretamente a forma de governo estabelecida, e o segundo era uma via de destabilizar uma das principais estruturas globais da atualidade. O saldo de mortos, segundo estimativas, foi de cerca de dez mil pessoas no Chile e de quase três mil pessoas nos Estados Unidos.

Publicado por: Rodolfo F. Alves Pena em Geografia humana

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¹ Créditos da Imagem: Biblioteca del Congreso Nacional de Chile e Wikimedia Commons

² Créditos da Imagem: Dan Howell e Shutterstock